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9.3.14

Fecha os olhos e dá-me a mão, confia por uma vez em mim e deixa-me guiar-te os passos...deixa-me levar-te a um lugar que tão poucos conhecem...
Não hesites, se o fizeres talvez a coragem me falhe e deixe novamente que a paisagem me engula e que os meus traços se desbotem e se confundam com ela e talvez nunca mais me voltes a encontrar...
Fecha os olhos e dá-me a tua mão, eu prometo não a largar enquanto não chegarmos, muito menos que te deixarei algures no meio do caminho...
Não percebes que se não me seguires nunca vais realmente entender?
Não percebes que existem coisas que tens necessariamente de ver com os teus próprios olhos? Que por muito que te as tente explicar, todas as minhas tentativas serão vãs?
Caminha então ao meu lado se o receio falar mais alto, talvez a minha tagarelice te distraia o suficiente para que aqui não consigas voltar sem mim se o seu real significado não fores capaz de captar...
É que apenas aqui consigo verdadeiramente ser eu, com todas as minhas nuances e tonalidades...repara bem no que nos rodeia e se realmente me quiseres conhecer, não será necessário mais nada para que o consigas fazer...

  
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contacto…
Ou toca, ou não toca."
Clarice Lispector 

*Autoria da foto: Murad Osmann 

20.2.14

Se me vires por aí...

Se me vires por aí e o meu silêncio estranhares...não te preocupes e deixa-me estar...
Tal como tu, também ele faz parte de mim e por vezes impõem-se à força de pura teimosia...obriga-me a parar, a resguardar-me em mim e para mim e a calar pensamentos e opiniões.
No tumulto constante em que a minha mente e o meu coração se enrodilham é apenas devido a ele que vou preservando a minha sanidade...
Se me vires por aí, não te apoquentes e segue...daqui a nada já te procuro e volto a ser aquela que sempre conheceste...mas por ora, deixa-me com o meu silêncio e não me faças mais perguntas, pois desconfio que mesmo que as respostas soubesse, não irias ser capaz de as realmente compreender!
Sou feita de sonhos, inseguranças e fantasmas, de objectivos e metas, de sorrisos simples e lágrimas difíceis...sobretudo sou ultimamente constituída de mais lugares sombrios do que luminosos e como tal, preciso que me deixes sozinha para que encontre um equilíbrio (mesmo que fraco) entre todos os meus lados...
É que sabes? Se me "roubas" o silêncio, não conseguirei ouvir o crepitar do fogo que ilumina esse caminho e ficarei perdida na escuridão dos meus sentimentos...
Por isso, se me vires por aí e o meu silêncio estranhares...não te preocupes e deixa-me estar...


(Devaneios de uma mente confusa)


"Se quisermos compreender alguma coisa, precisamos de nos dedicar ao silêncio."
Frederico Fellini 

16.2.14

Nos teus olhos

Nos teus olhos:
Quieta silenciosamente no meu canto observo atentamente o teu olhar, conhecer-te torna-se tarefa fácil desde que quem o verdadeiramente tente, seja capaz desse mesmo olhar decifrar.
Nos teus olhos vejo o duelo constante entre a aquela menina sonhadora que um dia conheci e a mulher que passo a passo diariamente ambicionas e lutas por te tornar, adaptando-se o melhor que sabe e pode às responsabilidades, exigências e desafios que constantemente lhe são exigidos.
Nesses olhos vejo aquela princesa das histórias da Disney  que tu tanto gostas e que dia-a-dia procura o seu seu final feliz concretizar, passe ele ou não pela presença  de um príncipe (des)encantado.
Nos teus olhos vejo aquela menina doce e por vezes ingénua que o coração de tantos conquistou, prevejo a mãe fantástica que serás, preocupada e atenta com tudo e com todos.
Nesses olhos vejo o carinho e o amor que transbordas por todos aqueles que constituem o teu mundo.
Nos teus olhos que são sempre os mesmos, vejo todos os dias uma pessoa diferente, semelhante à de ontem e de certeza diferente da de amanhã.
Nesses olhos vejo algum  receio e insegurança (mesmo que muitas vezes muito bem camuflado de brincadeira) de uma vez mais saíres magoada.
Nos teus olhos vejo as marcas que cada batalha por ti travada deixaram,  uma sabedoria e um amadurecimento mas sobretudo um sorriso que tempestade nenhuma parece capaz de aplacar.
Nesses teus olhos vejo a honra que é poder chamar-te de amiga, a sorte que tenho em seres presença constante na minha vida, porque neles, por vezes tanto de mim vejo reflectido.
O teu olhar, é assim palco do mais variado desfile de pedacinhos de ti, que se transformam consoante o público que te rodeia (como se de uma actriz numa peça de teatro se tratasse), sendo todos e cada um deles  a razão pela qual eu de ti tanto gosto!

Parabéns M...

*Imagem daqui

18.1.14

Porto seguro (2)

Uma vez escrevi-te um texto intitulado "porto seguro"...na  altura, cada um tinha ido para a sua universidade e eu sentia-te cada vez mais distante. Ainda hoje, das dezenas de textos que para ti escrevi esse é o meu preferido, talvez seja pela necessidade urgente que descobri em te dizer o que para mim eras antes que fosse demasiado tarde, não sei..não me recordo bem do que disseste sobre o mesmo, acho que na altura afirmaste ser reciproco e que independentemente do que a vida nos reservasse iria sempre ser verdade...
Não comecei 2014 da melhor maneira, a tua ausência fez-se sentir mais que nunca e como nunca senti a falta do meu porto seguro, dei por mim a concluir que estava tão errada quando acreditava que bastaria fechar os olhos e pensar em ti, lembrar-me de todas as memórias em conjunto, "fugir" novamente para ti e que novamente te poderia ouvir "ralhando-me" ou aconselhando-me consoante fosse o caso, para continuar em frente.
A verdade é que descobri que ao escolher fixar numa pessoa  e no nosso "não sei quê" o meu porto de abrigo me esqueci que este não poderia ser como eu tanto desejava, intemporal e constante...e que as memórias e recordações por muito boas que sejam serão sempre um reflexo muito difuso de ti, de nós...
Então chorei, mais até do que talvez há cinco meses, chorei porque finalmente entendi o significado das palavras "conforme o tempo for passando é que realmente a sua falta será sentida"...
Talvez um dia seja novamente capaz de encontrar um outro porto seguro, contudo duvido que seja capaz de abandonar por completo este que um dia em conjunto construímos por muito vazio e escuro que se encontre, por muito que este hoje apenas seja uma ruína do que um dia foi...
Assim, agora apenas me resta mergulhar nas lembranças e nos livros que a tua teimosia me ensinou a gostar quando a vida me ralhar e eu mais precisar do teu colo...pois quero muito acreditar que apesar de já não estares aqui fisicamente presente, continuas a viver em cada pedacinho que deixaste em todas e cada uma das pessoas com quem te foste cruzando…e como tal, enquanto eu preservar todos esses pedacinhos teus que em mim existem, posso continuar a acreditar que dizias a verdade quando afirmaste que sempre seríamos o porto seguro um do outro...
Fazes tanta falta, hoje e sempre!

"Amigos. Ultimamente eles têm sido meu porto seguro, meu refúgio. 
São eles com que posso confiar e sempre contar...
 e se um dia meu mundo desabar, eles serão as pilastras que manterão tudo de pé."
Marcela Menezes


27.12.13

Devaneios de uma noite de insónia

Quando a noite cai, naqueles últimos minutos que antecedem o embalo do meu consciente num sono profundo...deixo que a minha mente fuja para ti e que formule e reformule mil e um cenários possíveis onde apenas haja espaço para nós dois. Liberto-me das minhas inseguranças e momentaneamente esqueço todos os porquês de tal não ser possível, imagino que gostas de todas as minhas imperfeições e pequenos nadas e toda eu sou gargalhadas e sorrisos..
Quando a noite cai, no aconchego do meu quarto e no silêncio do escuro volto ao meu mundo cor de rosa, cheio de sonhos...fecho a porta a todos os problemas e percalços que te levaram para longe de mim e enquanto a noite dura e o sono não chega, volto a ser feliz!

"Não se desligam pensamentos. 
Podem até mudar-se atitudes, encobrir sentimentos e ocultar lágrimas e olhares. 
Mas não se desligam pensamentos. 
É o que de mais intrínseco tempo. O que (quase) ninguém nos lê.
 De onde tu não sais. Incessantemente. 
Onde posso voltar a tornar realidade aquilo que me faz feliz. 
Onde esqueço o que me incomoda. 
No meu pensamento, és meu. E serás. Sempre!" 
(desconheço autoria, encontrado aqui)

*imagem daqui


20.8.13

17.03.2009

"Ele é perfeccionista, a pessoa mais teimosa do mundo, viciado em cinema, fã d’O Senhor dos Anéis, de tal forma racional que poderia por vezes parecer frio, mas principalmente, tão optimista que parece querer contagiar tudo e todos dessa forma…
Ela é tímida, a pessoa mais complicada do mundo, viciada em séries, fã do Harry Potter, completamente emocional que nunca consegue tomar uma decisão racional, mas sobretudo tão negativista que é capaz de irritar qualquer um…
Como é que estas duas pessoas tão diferentes, de mundos tão distintos, se cruzam, estabelecem e fortificam uma amizade de forma tão rápida, tão intensa, tão única?
Ele acha que na altura em que se conheceram ambos precisavam de um amigo, um amigo verdadeiro, que reconheceram um no outro…
Ela acha que no fundo foi por ele não ser assim tão perfeccionista, tão teimoso, tão racional ou optimista…
Porque apesar do seu elevado grau de exigência aceitou-a, sim, não sem antes a tentar mudar, sim, não sem antes a ter mudado, mas no fim aceitou-a como ela é, ou será que não? =)
Porque no fundo ele dá “o braço a torcer” quando sabe que não tem razão…
Porque afinal até é emocional como qualquer comum mortal…
Porque nem sempre consegue mostrar-se tão optimista como aparenta ser…ou talvez seja apenas a opinião dela…=)
Ela acha que talvez tenha sido as afinidades que encontraram entre tanta diferença…a fotografia por exemplo…ou então se calhar ela até nem fosse tão complicada assim e tivesse facilitado as coisas…
Mas talvez não tenha sido nada disto…apenas uma questão de sorte talvez?
Uma partida do destino quem sabe?
Mas também a quem interessará…?"

(...e ficou tanto por dizer, tanto por fazer, tanto por viver! I miss you so much...)


"Ela -...resumindo e concluindo, eu sou esquisita, tu és esquisito 
e a nossa amizade é esquisita...
Ele -...eu diria assim, o mundo é esquisito...
nós somos normais!"

10.4.12

09.04.2011

O dia amanheceu ensolarado, ao acordar a ansiedade e expectativa manifestavam-se pesadamente no meu estômago.
Vesti o traje lentamente, alisando rugas inexistentes, endireitando um nó de gravata perfeito, calcei os sapatos finalmente aos meus pés moldados, depois de tanto uso lhe ter sido dado. Observei a imagem com que o espelho me brindava, cada emblema e cada nódoa na capa preta no ombro suportada, cada fita na pasta colocada, tantas histórias e memórias ali eternizadas…
De capa traçada, passei grande parte da cerimónia, sentada perdida em pensamentos, camuflada entre tantas capas pretas que efusivamente, bem alto, abanavam as suas pastas com fitas das mais variadas cores.
Cada música, cada discurso, cada pequena acção invocava em mim memórias e sentimentos diversos e por vezes contraditórios, ora sorrisos e uma felicidade extrema, ora lágrimas de saudade há muito antecipada e receio de um futuro incerto.
Depois das insígnias impostas, era chegado o momento de por fim as fitas pelo fumo passar e esse instante, apesar de na minha memória estar para sempre gravado, não o consigo decentemente descrever. Ali, rodeada de preto e a cor do meu curso, entre uma multidão ensurdecedora de gente, por segundos o barulho, a minha mente bloqueou, enquanto os flash’s dos fotógrafos se certificavam que numa fotografia tal momento poderia ser posteriormente recordado, uma única certeza me invadia: tinha valido a pena!
Apesar de todas as dúvidas e receios, de todos os dissabores e frustrações tinha valido a pena, depois de tantas aulas, trabalhos, frequências e exames, horas de estudo e folhas e folhas de apontamentos…tinha valido a pena, por todos os momentos, por todas as pessoas que nos últimos três anos o seu caminho comigo partilharam, e pelo orgulho e felicidade que no olhar dos meus familiares e amigos eu podia testemunhar…tinha valido a pena!
Um ano passou desde daquele dia, em que rodeada de (quase) todas as pessoas importantes na minha vida as minhas fitas queimei, explicar a importância do mesmo para mim, por muito que escreva talvez nunca seja capaz, mas acredito que tenha sido exactamente naquele dia, em frente aquele pote cheio de fumo que pela primeira vez experimentei uma sensação de felicidade plena…


"Aproveite bem os momentos felizes de uma vida, porque ela é curta de mais para ficar numa simples lembrança!"
 Willy Neval

25.3.12

Abraça-me apenas...

Abraça-me apenas, deixa que o meu rosto no teu ombro encontre repouso, enlaça os teus braços em meu redor e talvez assim eu finalmente encontre alguma paz.
Quebra esse silêncio no qual te refugias. Fala, graceja ou divaga sobre algo de inestimável conteúdo ou apenas assuntos mundanos e corriqueiros, mas fala…ouvir a tua voz acalma esta ânsia que me consome.
Mergulha nos meus olhos e talvez encontres as respostas que tanto procuras. Descortina lentamente cada pensamento em desalinho que na minha cabeça à muito já fez moradia.
Permanece ao meu lado por momentos e quem sabe consigas verbalizar correctamente o que eu pareço incapaz de sequer perceber quanto mais explicar…ou então, abraça-me apenas!


   (...porque dias/alturas há que me irrito com esta minha maneira de ser, e preciso de receber o que tão facilmente dou)


"O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas a de uma vela que queima."
Georg Christoph Lichtenberg

14.3.12

Quando nem eu me percebo

Quando a noite cai, o dia acalma e por fim respiro, dou por mim novamente a cair em velhos hábitos…
A apatia, companheira de tantas noites, regressa uma vez mais. Envolve-me bem forte num abraço nada amigável.
A voz emudece durante horas e a vontade, em solidariedade a ela rapidamente se junta. Procuro incessantemente o porquê de tal disposição novamente, mas respostas (se as há) nunca encontro.
Dúvidas, medos e receios tão familiares, uma vez mais povoam o meu pensamento.
Teimosa, recolho-me em mim e na escuridão tento encontrar luz. Analiso um a um todos os sentimentos que me murmuram ao ouvido, mas nenhum parece ser motivo suficiente.
O sono tarda e na escrita procuro refúgio, mas ela, só em plena madrugada concorda em colaborar. Contudo o que fica escrito é apenas um grão de areia no deserto que hoje me define...


P.S. e a impossibilidade de comentar alguns blogs perdura...

8.3.12

Deixem-me falar-vos de uma pessoa muito especial...

Deixem-me falar-vos de uma pessoa muito especial...
Poderia trata-la por amiga se ela não fosse para mim, muito mais do que isso. Esteve desde sempre presente (de uma maneira ou de outra) na minha vida, tanto que nenhuma recorda o dia em que nos conhecemos. Com ela partilhei segredos, brincadeiras, lágrimas e sorrisos, sonhos e devaneios, disparates e maluqueiras.  
Foi a primeira melhor amiga e a irmã "emprestada" que algum dia tive, e ainda hoje permanece como tal, crescemos e mudamos juntas, afastando-nos por vezes, nas encruzilhadas e percalços da vida, mas nunca definitivamente, nunca por zangas ou mal entendidos que nos impedissem de nos reaproximar novamente.
Cada uma seguiu o seu caminho, e talvez hoje por um motivo ou por outro, não sejamos tão próximas como outrora, pois o tempo parecer ser cada vez mais escasso e os momentos tendem a ser partilhados com outras pessoas, contudo, continuo a guarda-la com carinho num cantinho só a ela reservado no meu coração.
 Foi e continua a ser a minha amiga de infância (na falta de termo melhor para a definir), aquela a quem o texto mais lido neste blog se destina, aquela para quem hoje escrevo, na esperança que este texto consiga descrever ainda melhor o que por ela sinto...
(PARABÉNS A.)

p.s. Feliz dia da Mulher :)

27.2.12

As amigas



De quem são as gargalhadas que ouço? Serão daquelas jovens que ali adiante caminham?
Sim, devem ser delas, elas riem, brincam, dizem disparates, partilham segredos e novidades.
Ao mais distraído espectador desta tão usual cena de certo não se aperceberá que aquele passeio, aquela tarde se trata de um reencontro de velhas amigas, de amigas que já passaram por tanto juntas, de amigas que em determinado momento seguiram caminhos diferentes.
Mas elas mudaram, já não são as mesmas que outrora foram, cada uma do seu jeito, a seu tempo, mudou, é diferente naquela tarde. Poderá a amizade ainda ser a mesma?
Provavelmente não.
As pessoas mudam, tal como as suas prioridades. Nada volta ser o que já foi, a cumplicidade diária perde-se nos dias em que não se falam. A intimidade, o à vontade diminuem, mas poderá por breves momentos a magia acontecer e todo voltar a ser igual?



26.07.2010*
 
*...e hoje mais de um ano depois, sei que não, a vontade existe de ambas as partes, mas por algum motivo que ainda não consigo perceber, apenas por momentos as coisas voltam a ser como foram outrora.
 
 
 
"Se tens um amigo, vista-o com frequência, pois as ervas daninhas e os espinheiros invadem o caminho por onde ninguém passa..."
Provérbio árabe






p.s. Não sei se é por eu ser um zero à esquerda nestes assuntos cibernáticos ou problema da net mas a verdade é que desde sábado que não consigo comentar blogs que não tenham os comentários a aparecer num janela à parte...eu tento comentar mas quando vou a submeter aparece um tringulozinho com um ponto de exclamação e eu fico sem saber se o comentário foi ou não foi guardado.
Quando começo a seguir um blog gosto de deixar um comentário a avisar e a explicar porque o sigo, nos últimos que comecei a seguir não o pude fazer, exactamente por este problema. Fica registado o aviso, não é má vontade minha é mesmo burrice!! =)
Quem me souber explicar como resolver a situação fico muito agradecida!


15.2.12

Paz de espírito

Procurei a paz que levaste contigo no dia em que partiste em tantos cantos e recantos que se agora  todo os tivesse que enumerar não seria capaz.
Procurei-a na música, desde da  mais calma melodia até aquela que de música já pouco tem, ouvi mil vezes as músicas que eram nossas na esperança que fosse aí que ela tivesse encontrado abrigo.
Procurei-a em livros, histórias e historietas parecidas à nossa na tentativa de descobrir respostas que sossegassem o meu coração e permitisse o regresso da tão desejada paz de espírito.
Procurei-a na natureza, onde esta vinha sempre ao meu encontro se eu assim o quisesse, descortinei cada paisagem, cada lugar nosso ou apenas meu, observei atentamente o céu azul e a água cristalina do rio, escutei cada canto que esta tinha para me oferecer mas, pela primeira vez nada encontrei.
Procurei-a por fim em outros rostos, outros toques e carinhos iludindo-me ao pensar que finalmente teria descoberto a solução, mas era de outro género a paz que estes me ofereciam.
Exausta e bem perto de desistir descubro-a por acaso...ela chega de mansinho, instala-se sossegadamente em mim quando me sento assim, frente a frente,  sem um toque ou palavra sequer, apenas a tua presença...ali ao pé de mim.

"A amizade começa quando, estando juntas, duas pessoas podem permanecer em silêncio sem se sentir constrangidas"
Tyson Gentry

(...devaneio de hoje... ou então como a companhia das minhas pessoas me anda a fazer demasiada falta...acho que só à bem pouco tempo pude comprovar a exactidão desta frase..)

7.2.12

Lua...


Lua companheira minha, em tantas noites de insónia, testemunha de tantas gargalhadas e músicas mal entoadas.

Deixa que a tua luz acaricie suavemente quem de mim está tão longe, ilumina os seus passos, garante que chega seguro a casa mas brinca de esconde-esconde e talvez assim consigas despertar na sua memória a lembrança de uma noite perdida no tempo.

Lua, confidente nossa noites a fio, vigia-o uma vez mais, mas guarda segredo sobre quem e porque motivos te mandou, deixa-o adormecer e só depois de fininho entra pela frincha da portada e beija-lhe bem devagarinho a cara, deposita em cada face todo o meu amor, desalinha-lhe com carinho o cabelo e talvez assim de manhã ele fique intrigado...
Lua amiga minha, brilha uma vez mais esplendorosamente e quem sabe, se assim, hoje ele também não sentirá saudades minhas…


"Declare ao céu, ao tempo e ao vento...
 Declare ao sol,ao mar e a areia...
 Declare a lua ao dia e a noite...
 Declare ao mundo, ao espaço e ao infinito...
 Como simplesmente amar é o dom mais bonito."
                   Eliana Sidaco

(devaneio de hoje numa viagem de autocarro) 

1.2.12

Deambulações académicas...(ou então o tão prometido texto...ou quase)

Volto por instantes à casa que foi a minha nos últimos três anos, passo por corredores vazios, portas entreabertas e sussurros de aulas a serem dadas, cada recanto projecta-me para um passado ainda tão fresco, cada canto me lembra de histórias, de pessoas que jamais quero esquecer…


Os campos lá fora relembram-me a minha vida de caloira, a ansiedade que antecipou o primeiro dia de aulas e que não me deixou dormir, a tão temida praxe, o almoço tomado a correr pois chupetas precisavam de ser compradas e placas feitas. Os risos à socapa dos doutores e o cheiro intenso à polpa de tomate estão tão vivos na minha memória que quase os ouço e cheiro novamente.

O diploma lá continua na parede do meu quarto mostrando a quem nisso tiver interesse o orgulho de ter “sobrevivido” a tão “cruel e dura” praxe, ter participado na praxe de veteranos e de curso, ter sido baptizada com o nome de abracinho e adorar tal facto.

Abraços eram aliás uma constante, distribuía-os à medida que deles ia precisando, teimando em não pedir autorização na maioria das vezes e assim amizades foram sendo feitas umas por puro acaso outras por necessidade, a “tribo” ganhou forma e momentos hoje memoráveis foram ocorrendo entre trabalhos de grupo, estudo e saídas.

Volto ao presente e o coração fica apertado, a saudade reclama por atenção e recusa-se uma vez mais a ser ignorada, no caminho de regresso a casa é impossível conter a corrente de pensamentos e recordações que inundam a minha mente, silenciosamente enumero cada um dos nomes que ao nome desta faculdade estão para sempre associados, interrogando-me o que deles será feito ou como os poderei reunir a todos novamente.

Já em casa tiro a capa preta do armário, consigo narrar a história de cada emblema e mancha que nesta existe…não resisto, ponho-a novamente aos ombros e deixo-me transportar para todas as vezes que a enverguei, experimentando-a euforicamente na loja, usando-a incorrectamente o jantar de curso inteiro, transbordando de felicidade ao vê-la traçada pelo padrinho na serenata, abrigando-me nela quando a chuva marcou presença no caminho para novo jantar enquanto “grande animal”, o respeito (ou nem tanto assim) que impôs enquanto fui praxadora, a água que limpou na cabeça da afilhada, das serenatas e declarações que presenciou, do frio do qual me abrigou ou das centenas de fotos na qual foi protagonista.
E eis que o telemóvel toca, com uma nova mensagem recebida: "Vou estar por esses lados, vamos tomar café e desfiar velhas meméorias? Tenho saudadinhas tuas"(…)

Continua...

12.1.12

Batalhas

As mais duras batalhas serão sempre aquelas que o silêncio cala, a boca aprisiona, os olhos tentam em vão denunciar, e o mundo desvaloriza. Os fracassos mais amargos estarão eternamente representados numa lágrima que teima em cair na escuridão da noite, na expressão facial que te trai no momento mais inapropriado e no sorriso forçado.
Serão sempre as coisas consideradas insignificantes que mais te farão falta, um cheiro, um som, um toque e serão precisamente estas, as coisas que maior saudade te provocará. E é exactamente quando estarás pronto a abrir mão e a deixares que a corrente te leve, que um derradeiro folgo te resgatará e novamente na superfície te verás.
Na dor, no sal das lágrimas e nos gritos estrangulados na garganta, encontrarás todo um leque de valiosas lições que o tempo não apaga nem destrói. Forças escondidas das sombras emergem e vês-te capaz de suportar um maior e mais variado conjunto de batalhas.
Na confusão do presente constróis o teu futuro “eu”, mais forte, menos ingénuo, mais sábio! E é assim que cresces, entre ondas de dor e alegria, num rodopio de emoções contraditórias, entre ciclos opostos de tristeza e felicidade. É desta forma que te redescobres e te reinventas diariamente, desvendas partes de ti que desconhecias e surpreendes o mundo e a ti mesmo.


"Todas as batalhas na vida servem para ensinar-nos algo, inclusive aquelas que perdemos"
Paulo Coelho


(...dedicado à Paula, como forma de incentivo e apoio..=D )

(09.02.2010)
p.s. o post nº 100 deste meu cantinho tinha que dizer algo minimamente aceitável a meus olhos...o meu OBRIGADO pelas  5, 766 visitas...espero que continuem a voltar...;)

Laços



Laços tão frágeis, esses que hoje nos unem, as conversas são banais e os encontros de circunstância.
Tenho vontade de fortalecer os mesmos laços, tornando possível que estes se prolonguem no tempo e no espaço, aprofundando os pontos em comum, as mesmas opiniões sobre determinado assunto ou situação, entrelaçando duas vidas de tal forma a que nenhuma encruzilhada seja capaz de separar.
Não quero ser mais uma memória (boa ou má), mas quanto mais tento apertar todos grãos de areia nas minhas mãos, mais eles teimam em me escapar por entre os dedos e todo o potencial que vejo e encontro em sorrisos, conversas e afinidades não se concretiza e ficam condenados (para sempre talvez) ao baú onde guardo todos os meus “ses”, as possibilidades perdidas e os caminhos pelos quais não optei.
Laços demasiado finos para sobreviverem esses que um dia nos uniram, as estações sucederam-se, a chuva molhou o que o sol secou, as coisas mudaram e a vida ditou o rumo de cada um, apenas restando memórias do que poderia ter sido e não foi.
Por vezes, sinto-me tentada a abrir o baú, retirar dele lembranças de determinadas pessoas, situações, sufocar a saudade das mesmas e de um passado partilhado. Quando a curiosidade se instala apetece-me saber notícias delas, pegar no telefone e trocar novidades, tentar resgatá-las daquele dia em que os nossos destinos se separaram, traze-las para o meu presente e reforçar novamente esses laços… mas o tempo escasseia e algo acaba sempre por se sobrepor.
No entanto, guardo docemente nas páginas do meu passado, todos esses laços que tão prematuramente definharam como sei que guardarei todos, os que agora vou formando e que inevitavelmente a estes se irão juntar.



"There are things that we don't want to happen but have to accept, tings we don't want to know but have to learn, and people we can't live whithout but have to l

et go..."
(este texto já havia sido publicado, ñ sei como foi parar novamente aos rascunhos, mantem-se contudo muito actual com o meu estado de espírito)

4.1.12

(...)

Naquela altura do dia em que o sol e a lua partilham o céu por meros momentos antes de seguirem caminhos opostos, não consigo evitar a comparação connosco...sorrio com tamanha petulência, o rádio algures começa a tocar e deixo-me ser embalada pela música, mas também esta não me dá tréguas e faz-te emergir novamente no meu pensamento ao me brindar com a mesma música que tocava na última vez que ali estivemos...tu e eu, num"até já" que prometia ser breve, mas que no fim se transformou num "adeus" bem mais definitivo...
O autocarro inicia o seu trajecto e de olhar perdido pela multidão  que ora  parte  que ora chega sempre rodeada dos que lhe são mais queridos, vejo-te ali....de pé, de olhar fixo no meu, a respiração pára por segundos, a pulsação acelera e a viagem termina sem que consiga decidir se eras real ou apenas a projeção do tamanho da minha vontade em te ter ali, ou melhor, aqui...sempre ao pé de mim.
Chego a casa, na penunbra do quarto e no som da aparelhagem encontro o meu refúgio, a solidão faz-se notar como nunca até então e quando estou prestes a dar-me por vencida e deixar que ela me engola....a campainha toca e no intercumunicador ouve-se : "- por favor abre...a tua ausência está tão presente em mim que julgo ver-te onde juras-te não mais voltar..."



 

"Never say goodbye, because saying goodbye means going away, and going away means forgetting." Peter Pan

22.12.11

No meu mundo...

No meu mundo, sou princesa se assim o quiser, uma princesa forte e corajosa ou insegura e frágil, dependendo da ocasião.
Tenho um castelo enorme, cheio de passagens secretas e muros bem altos, construídos com todas as pedras que se vão cruzando no meu caminho, que me protegem das investidas de inimigos cruéis e que resiste de forma calma e serena à força destruidora da natureza.
No meu mundo, sou dona de um castelo robusto e resistente…mas apenas quando observado de fora, apenas quando as portas estão fechadas e a entrada está vedada, pois o seu interior é bem diferente. A sua estrutura assemelha-se à instabilidade de um castelo de cartas, minada por todas as minhas inseguranças e medos e as suas paredes são construídas com as marcas e vestígios de todas as batalhas perdidas ou ganhas.
No meu mundo, sou princesa detentora de uma escolta real personalizada que me segue para todo o lado, que me cerca e protege quando o perigo espreita ou as consequências de decisões mal tomadas se manifestam. Escolta essa que “toma as minhas dores” como se fossem suas e não me permite desanimar, que está sempre presente e vai testemunhado bons e maus momentos.
No meu mundo, sou princesa de um castelo e de uma escolta real…e por ambos sou responsável. Tento reinar para que o castelo não desmorone e que a escolta só testemunhe sorrisos e afectos em meu redor, sem nunca sentir necessidade de intervir, mas nem sempre se mostra uma atarefa fácil.



"Era necessário agir, equilibrando a possibilidade de coragem com a possibilidade do fracasso, com a mesma determinação de um artista de corda bamba quando se entrega à tarefa de a atravessar: nunca, em ocasião alguma, deve olhar para a distância entre si e o solo, para que a possibilidade da queda não precipite a própria queda". João Tordo - As 3 Vidas

16.12.11

Escolhas

Um dia face a tantas desilusões e dissabores  vi-me perante a necessidade de fazer uma escolha entre: tornar me como as pessoas que me desiludem, sendo fria e desinteressada por quem gosta de mim ou continuar assim, a dar todo o que tenho por quem me é importante, dizer sempre que me apeteça o quanto deles gosto, demonstrando-o em atitudes e pequenos miminhos simbólicos...decerto que é bem mais dificil a concretização desta última opcção, o caminho é feito com muitas lágrimas, sofrimento e dúvidas mas a questão acaba sempre por se resumir a uma: se quero ter retorno de quem quer que seja não deverei ser eu a dar o primeiro exemplo??? E a resposta, por enquanto continua a ser a mesma...





“Be the change you want to see in the world.”

Mahatma Gandh



29.10.11

Foram precisos demasiados meses, dias e horas para entender que talvez o problema não era não querer ajudar, mas antes não saber como…que não era o que foi dito que magoava, mas sim o que ficou condenado ao silêncio…que não foi o que foi feito, mas antes o que não foi…
Hoje consigo perceber que a desilusão consistiu no apoio que não foi prestado, no “eu estou aqui, sempre que precisares” que nunca foi prenunciado e nas inexistentes tentativas de terminar as conversas inacabadas, porque dizer e fazer, acreditar e comprovar são coisas muito diferentes.
Porque em última análise, as coisas poderiam ser diferentes, cedências podiam ser feitas e desculpas pedidas, se o erro não fosse em algo tão crucial, pois apesar dos ideais, pontos de vista, formas de pensar e actuar poderem ser muito diferentes…há coisas que tem necessariamente de ser iguais!


"Only in the darkness can you see the stars"
Desconheço a autoria