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20.10.11

A chamada

O telefone toca e eu corro para ele na esperança que sejas tu do outro lado da linha, pego-lhe mas este fica mudo e a casa volta ao silêncio que nela ficou desde que foste embora. Pouso-o novamente no descanso e o sorriso desaparece.
Mergulho de novo na azáfama do meu dia e tento assim sufocar a corrente de pensamentos que te trazem de novo aqui, ao pé de mim, tão presente. Desisto por fim e vencida marco o número que há muito sei de cor, o telefone chama, uma e outra vez mas de ti continuo sem nada saber, desligo mas o meu coração deixa escapar: "…era apenas para dizer como sinto a tua falta".


"As contraries are known by contraries, so is the delight of presence best known by the torments of absence."  Alcibiades

5.10.11












A tua sorte é que eu gosto demasiado de ti para deixar de me importar...e é tão bom voltar a ter um daqueles nossos momentos inesquecíveis, mas cada vez mais raros, onde as lembranças das conversas até altas horas fazem-se ouvir mais alto que todo o barulho e confusão que nos rodeia.
A tua sorte é, eu não ser de desistir perante as dificuldades ou sem que me deiam uma justificação mínima que me satisfaça.
Porque no balanço final dos estragos do furacão a que se resumiram os últimos meses da minha vida, quem realmente é importante e pretende fazer parte da minha jornada e do meu coração, permanece (mesmo que para tal tenham sido precisos uns quantos puxões de orelhas!), as conversas necessárias foram tidas, com as pessoas dispostas a tê-las, coisas importantes foram relembradas quando pareciam andar esquecidas pelos baús da memória...

10.9.11

Desculpas...



...e/ou apesar de tudo hoje tenho a certeza que que o fiz demasiadas vezes sem o mínimo retorno...


Ao som de: It´s hard to say I'm sorry (Westlife version)

31.8.11

Se me quiserem definir...

Se me pedirem para me definir serei incapaz de o fazer. 
Direi apenas que sou uma amálgama de bocadinhos de todas as pessoas que pela minha vida passaram, e se a minha resposta não lhes bastar, pedirei que perguntem aos que me são queridos, talvez eles e apenas eles, saibam/possam responder.
São eles o espelho em que diariamente analiso o meu reflexo, espelho esse, onde ensaio e experimento aquilo que pretendo ser, que me ajuda a delinear a linha que separa o correcto do incorrecto, que me ensina que posso sempre ser/fazer mais e melhor, que me relembra o passado, que me guia pela vida.
Contudo se realmente a eles recorrem não garantirei que estes serão de muita ajuda se de mim pretenderem uma definição concreta e precisa, cada um apontará uma qualidade ou defeito diferente pois não sou na companhia de um exactamente a mesma pessoa que sou na companhia de outro. Assim tanto serei silêncio como música, alegria e tristeza, serenidade e tempestade.
Por fim compreenderão a minha resposta inicial. Como camaleão, que “pede emprestado” as cores do que o rodeia e se adapta à nova realidade, também eu me organizo e reorganizo os pedacinhos (“roubados” a todos aqueles que um dia já quis bem) conforme as circunstâncias e sou um bocadinho de tantas pessoas que para a todas fazer justiça não poderei ser de definição fácil e simples.








"Cada pessoa que passa na nossa vida passa sozinha, e não nos deixa só, 
porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós." 
Charlie Chaplin

22.4.11

Menina de olhar sonhador

- Menina de olhar sonhador, desça dessa sua torre e conceda-me uma oportunidade de a corte lhe fazer…
- Caro galanteador, não percebe que se o fizer toda a graça se perde? Se for fácil e acessível o caminho por nós partilhado, permanecerá quando a primeira barreira nele se interpor? Contarei com a sua mão quando escorregar? Dará o mesmo valor a algo tão facilmente conquistado como daria a algo que o relembra-se diariamente o quão difícil foi conquista-lo? Veja bem, não é por excesso de orgulho, altivez ou vaidade que não acedo ao seu pedido…é apenas por saber não ser capaz de ao seu lado permanecer se não tiver a certeza que o nosso amor não vacilará ou perecerá ao primeiro dissabor.
- Mas menina não teme acabar sozinha de tanto complicar e querer o amor explicar?
- Se realmente me cativar perceberá que a solidão não me assusta, aliás é sempre preferível ao vazio de certas relações, posso até para sempre permanecer sozinha entre tantas idealizações do par perfeito feitas mas pelo menos não ficarei presa nesse ciclo vicioso e por vezes tão destrutivo que dá pelo nome de amor…
- Desculpe mas não a consigo perceber, mas eu apenas amo pelo simples prazer que me concede a pessoa amada, não procuro razoes, lógicas ou explicações em todo esse processo!
- Então não merece que eu me canse a descer esta escadaria para ir ao seu encontro…também eu amo pelo mesmo motivo, apenas a maneira de amar é que é distinta! Não consigo gostar do que não percebo ou entendo e para tal preciso de o analisar e se realmente um ao outro estivéssemos destinados, não necessitaria de lho explicar!






"In order to be irreplaceable, one must always be different."
Coco Chanel

29.3.11

Porque hoje aqui, ainda existe tanto de ti...

Porque hoje aqui, ainda existe tanto de ti! Num dia perdido algures pelos baús das lembranças, na sombra de uma conversa nova mas que usa falas antigas, num filme que grita por ti, em citações de um livro, em lugares onde o vento sussurra o teu nome, numa música que parece te procurar...no lado sombrio da minha memória ao qual te condenei... Porque hoje aqui, ainda existe tanto de ti, mesmo quando aí, nada de mim parece haver!

4.2.11

O que o meu silêncio esconde

Pedes-me respostas, que quebre o silêncio que nos últimos meses me blinda sem jamais perceberes que nele residem todas as respostas, sem sequer notares que talvez este exprima algo inenarrável.
Ofereces-me o teu ombro para desabafar, reafirmas promessas antigas e no entanto mostraste incapaz de verdadeiramente me consolar, com o mais simples dos gestos. Não percebes, ou talvez não queiras perceber o que o meu silêncio esconde.
Olhas-me nos olhos mas não me vês, contentas-te em saber o que se passa de forma superficial e desinteressada e tão pouco te dás ao trabalho de procurar compreender, bem lá no fundo deles, esta súbita ausência de palavras.
Não me peças que explique (ou que pelo menos o tente fazer), o turbilhão de emoções que a minha boca aprisiona, não tentes descortinar o meu silêncio nem o estranhes, se em troca não estiveres disponível para marcar a diferença entre o quebrar ou não.
Saberás tão bem como eu, se já algum dia to permitiste experimentar a veracidade desse lugar-comum que se torna dizer, que temos a mais longa das conversas numa troca de olhares silenciosa, onde o reconhecimento de que realmente a pessoa que nos mira nos conhece e nada mais se torna necessário que apenas a certeza de nos sabermos acompanhadas independentemente do que se tenha de enfrentar.
Dizes notares-me estranha, distante e fria, perguntas-me enfim o que encobre o meu silencio…encobre talvez alguém que começa a mostrar sinais de cansaço na crença ate agora inabalável para quem era ou não importante, esconde a ausência de forças para continuar a dar sem em troca, algo receber…
Se ainda não o percebeste ele diz-te que prefiro não investir, refugiar-me em mim e recusar-me a precisar de alguém com quem partilhar os meus problemas mesmo que estes se tornassem, talvez assim mais suportáveis.
Se me conheces minimamente saberás que não é o rancor, egoísmo ou o egocentrismo que me move mas apenas uma necessidade cada vez mais premente de auto-preservação e de me pôr em primeiro lugar em detrimento do outro…




" O único silêncio que perturba, é aquele que fala, e fala alto. É quando ninguem bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada, não há recados na secretária eletrônica, e mesmo assim você entende a mensagem."
Martha Medeiros

16.1.11

(...)



Fechei o meu coração para nele proceder a uma total remodelação...
Quero rever as cores que o caracterizam, rodear-me de nomes e memórias e avaliar muito bem quais deverão ainda permanecer forrando as paredes do mesmo e quais estarão de tal modo danificadas por expectativas frustradas, que o melhor mesmo será guarda-las no baú das lembranças la bem no fundo da minha memória fechando-as a sete chaves com tudo o que um dia me desiludiu e magoou.
Quero abrir as janelas para que areje, para que a escuridão em que se encontra seja substituída por uma esperança luminosa num futuro melhor.
Depois de ter dado uma limpeza profunda, ter varrido tristezas e amarguras para bem longe e ter limpo manchas deixadas por decepções, deixo a porta entreaberta para que sentimentos como o amor, amizade e alegria nele encontrem um lar, para que novas pessoas o inundem com novos momentos memoráveis e sorrisos ternos e doces...
Parece novo o meu coração agora à vista desarmada, mas bastará um olhar apenas um pouco mais prolongado para facilmente ver as fendas nas paredes que o novo papel de parede parece incapaz de encobrir ou a presença silenciosa da desconfiança, a qual se mostrou irredutível na decisão de dali sair permanecendo juíza de todos esses novos moradores que quero que povoem o meu coração...



"No matter if we are strong, trauma always leave a scar. They follow us to our homes, change our lives. Traumas tip to everyone, but maybe that´s the reason. All the pain, fear, idiocy. Maybe it's living that makes us go forward, is what drives us. Maybe we need to drop a bit to raise it again."

in Grey's Anatomy- Elevator Love Letter

8.9.10

Pelo Sul...



Rumo a sul, medo e excitação fundiam-se num só, perguntas e dúvidas assaltavam-me a mente.
Pelo sul, belas, diversas e diferentes paisagens envolveram-me num doce e terno abraço, o burburinho das ondas do mar e do silêncio alentejano, silenciou todas as dúvidas, mágoas e medos que assolavam a minha alma e por alguns dias uma tão desejada paz acalentou o meu espírito.
Em pleno sul miminhos aconchegaram-me o ego, pessoas mudaram a minha forma de ver o mundo, marcaram a minha vida. Por breves instantes voltei a ser criança, corri descalça pela areia molhada, brinquei com as ondas, construí castelos dos quais era soberana.
No sul recarreguei baterias, reforcei forças e reencontrei-me…


Ao som de:Rumo ao sul - Ana Moura

"Aquele que parte nunca é o mesmo que regressa" 
Octavio Ianni

18.7.10

Não vou por ai....


Não vou por ai, se ir por ai me fizer perder de mim mesma, se não for capaz de mostrar gentileza a quem por mim passar só porque algures na estrada percorrida alguém me presenteou com animosidade.
Certamente não irei por ai se pretenderes que faça das excepções, regras, e me comporte tal qual como a maioria do mundo se comporta. Recuso-me a deixar-me ser algo menos que sonhadora.
Não sou nem quero ser aquilo em que teimas em me querer transformar. Serei então uma idealista inveterada e incorrigível, se assim preferires, por procurar incessantemente a bondade, altruísmo e amabilidade da humanidade e por muito que me tentes dissuadir acorrentando os meus pés ao chão, mostrando-me inúmeros dissabores e amargos de boca nesta multidão que me rodeia e que um dia achei amistosa…mesmo assim não irei por ai.
Prefiro ir por aqui, trilhar sozinha um novo rumo, refutando todas as tuas provas e argumentos contra. Por aqui, por onde vou, encontro pessoas raras, tão espontâneas que anulam a inimizade de todos esses casos, com os quais teimas em me confrontar.
Por aqui sigo sozinha, bem o sei, de braços abertos e prontos para rodearem num abraço sentido, quem a isso estiver disposto. Chamas-me ingénua, mas ingénua já não sou. Não parto, convicta que não encontrarei esses espinhos que definem a tua trilha, simplesmente parto sabendo que esses serão facilmente abafados pelo perfume e textura de tão belas rosas!
Apelida-me de insana e de masoquista então, contudo, ainda assim não abdicarei dos meus gostos e maneira de ser, continuarei a gostar dos mesmos tipos de livros e filmes, dos clichés românticos e previsíveis, dos “coraçãozinhos na cabeça” e da visão mais ou menos cor-de-rosa do mundo. Serei louca por fim, mas pelo menos não serei mais uma céptica incapaz de ver para além do óbvio, para quem tudo terá que ser preto ou branco.
Irei por aqui, pois só por aqui poderia e saberia ir.



Não, não vou por aí!

Só vou por onde

Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?


José Régio in Cântico Negro

( a inpiraçao para o texto)

13.5.10

Queres que seja sincera ou que diga aquilo que pretendes ouvir?



Queres que seja sincera ou que diga aquilo que pretendes ouvir?
A verdade é que quando me perguntas se estou bem só o fazes por descargo de consciência ou então por ser aquela pergunta banal que toda a gente faz…e quando eu te respondo que sim, é apenas porque não pretendo falar do assunto, quando sei que a preocupação não é sincera, quando o meu orgulho se sobrepõe a qualquer vulnerabilidade.
Então digo aquilo que pretendes ouvir e omito a verdade, mesmo quando só a ti a seria capaz de admitir…
Queres que seja sincera ou que diga aquilo que pretendes ouvir? Não digas que ambas são a mesma coisa se quando te confio as minhas inseguranças e receios, mesmo meios camuflados, te mostras incapaz de prestar atenção às palavras que pela minha boca desfilam!




" Não é bom que toda a verdade revele tranquilamente a sua essência; 
e muitas vezes o silêncio é para o homem a melhor decisão." 
Píndaro

19.2.10

Insegura, hoje sinto-me insegura!


Insegura, hoje sinto-me insegura!
Já não sei o que é certo ou errado, se viro à direita ou à esquerda, se faço bem ou faço mal. Dou por mim perdida em pensamentos, a deixar que as duvidas assolem a minha paz de espírito.
Revejo momentos, palavras, silêncios e atitudes e já não sei dizer se foram as mais acertadas, se o fiz por achar que era o melhor para todos, a atitude mais correcta a tomar ou por apenas ser incapaz de cortar definitivamente e partir em direcção completamente oposta.
Duvido dos motivos, duvido das personalidades, duvido da importância, dos sorrisos e das meias verdades…
Insegura, hoje sinto-me insegura….e no meu de tanta insegurança e falta de confiança em mim própria, finalmente percebo que não posso ter a atitude mais ajustada, ficar calada e não espernear, ser a boa menina do costume, fechar os olhos aos pormenores que me magoam e fingir acreditar que existe um valor maior que fará todo o suplício valer a pena!
Finalmente percebo, os revezes de se ser demasiado boazinha para demasiadas pessoas em demasiadas tentativas de agradar, culpa desta mania de ter que ser perfeita sabendo que nunca o serei!
Insegura, hoje sinto-me insegura e como tal mando tudo "à fava", estou farta de manter o sorriso quando ele apenas quer desaparecer, farta de desviar o olhar e fingir não ver, farta de ignorar aquela dorzinha teimosa que persiste dia após dia e comportar-me como se tudo já pertencesse ao passado…
Apetece-me dizer que odeio tudo e todos! Gritar ao vento como a situação é injusta, dar-me palmadinhas nas costas e reconfortar-me por ter como rota o caminho em frente quando a dor é tão intensa, quando fazer o correcto e o que toda a gente espera que eu faça se torna tão torturante.
Insegura, hoje sinto-me insegura quanto ao caminho a seguir, entre escolher assumir o fracasso caminhando para bem longe sem nunca olhar para trás ou escolher continuar de espada em riste e armadura colocada batalhando por uma causa inglória na qual os principais visados nunca me darão o devido crédito se dela, algum dia sair vencedora!
É complicado sentir, é difícil de encontrar, é quase impossível de esquecer mas tão fácil de ignorar quando não somos nós que o enfrentamos!
Insegura, hoje sinto me insegura e por tal quero ter o direito de pensar só e apenas em mim, de ser egoísta e achar que a minha dor é a maior do mundo…nem que seja por um breve momento...
Insegura, hoje sinto-me insegura!

12.2.10

Menino dos meus olhos



Menino dos meus olhos que com esse sorriso derretes por completo o meu coração e apaziguas a dor que o consome com a inocência que dos teus olhos transborda.
Menino dos meus olhos, junto a ti encontro a paz que procuro quando o mundo lá fora enlouquece, sento-me por momentos ou durante horas vendo-te brincar ou brincando contigo, todos os problemas se minimizam e o resto do mundo fica suspenso por instantes.
Menino dos meus olhos que me reconfortas, que transformas tão habilmente o dia mais chuvoso no mais solarengo e me fazes sentir ter esse mesmo dia ganho cada vez que me presenteias com um beijo lambuzado de chocolate ou com um abraço inesperado.
Saberás tu por acaso que te encontras na fase mais abençoada da tua vida? Saberás tu menino lindo dos meus olhos que nunca mais a tua felicidade será tão instantânea, esse sorriso tão verdadeiro ou a tua vida tão despreocupada?
Não, não sabes, talvez por estares igualmente na fase mais desvalorizada e possivelmente mal aproveitada da tua existência pois desconheces a quão boa ela pode ser…
Por tudo isto, menino lindo, que cativa me tens desde que mais não sabias do que dormir, comer, berrar e babar, não tenhas pressa de crescer! Não queiras abdicar tão facilmente das brincadeiras, das birras despropositadas e das perguntas mais inapropriadas. Cresce bem devagarinho pois quando ingressares no “mundo dos adultos” esta será precisamente a fase cuja falta mais será sentida.
Menino dos meus olhos…não queiras deixar de ser criança! Assegura-te que em ti sempre haverá uma réstia de tudo o que hoje te define.
(Dedicado aos meninos dos meus olhos que tão docemente aquecem o meu coração...=P )

12.12.09

Faz de conta


"Vem…senta-te comigo e distrai-me, faz-me esquecer o lugar onde me encontro, as razões que aqui me trouxeram.
Brinquemos de faz de conta…
Faz de conta que sou grande, que fiz muitas asneiras, que cometi erros e este é o castigo que me calhou em sorte.
Faz de conta que não tenho três anos e percebo aquilo em que os meus pais acreditam, que sei o que é o conceito de Deus e das provações que ele coloca à minha fé, que tenho idade suficiente para me resignar com a injustiça da vida, que sei o que é a força de vontade e entendo quando me dizem que preciso de ser forte e lutar.
Faz de conta que sei porque não posso brincar lá fora, correr livremente e dar muitos beijinhos aos meus pais, que sei o que estas pessoas em meu redor fazem com todos esses objectos que tantas vezes me magoam…
Faz de conta que não vês todas as batalhas perdidas por mim nesta luta, presentes no meu corpo, que não vês as marcas de seringas, as nódoas negras, o meu ar pálido e cansado.
Vem, brinca comigo! Faz de conta tu agora…faz de conta que sabes o porquê de eu aqui me encontrar, que sabes dar-me razões minimamente aceitáveis para eu ter que enfrentar tão dura disputa em tão tenra idade.
Faz de conta que sabes o que o amanhã me reserva e que não tens medo de quando cá voltares daqui não me encontrares por saberes que o único motivo justificável da minha ausência será o facto de finalmente poder ter ido para casa e começar a conhecer o mundo.
Anda! Brinca comigo de faz de conta! Pois no mundo de faz de conta tudo pode ser como nós queremos, a vida faz sentido, as respostas são fáceis e claras, os sorrisos abundam e eu sou saudável…"


(eu tentei...não sei se deu muito resultado mas...)

5.12.09

Lá...aqui...

Lá onde a escuridão reina e o silêncio é dono e senhor, onde os ecos das falas, dos pensamentos e das ausências são abafados e engolidos pelo vazio…
Lá onde a temperatura é sempre amena independentemente da chuva que violentamente martela o vidro da janela ou que cai de mansinho e leva consigo todas as dúvidas, receios, incertezas, desilusões e frustrações, do vento que tantas vezes me assobia ao ouvido conselhos por vezes esquecidos, do sol que teima em se querer esconder por entre as nuvens, envergonhado, não querendo mostrar todo o seu esplendor…
É para lá que eu caminho, é para lá que eu corro…
Aqui, onde chego, me reencontro e reaprendo a ser novamente apenas e só eu, aqui mais ninguém tem permissão para entrar, reina a paz e sossego, todas as vozes cessam, todos os problemas se desvanecem, a vida corre sorridente…
Aqui, neste lugar que o resto do mundo desconhece, colo uma vez mais todos os cacos que me definem, respiro fundo e procuro a inocência perdida a ingenuidade de outrora, forças para enfrentar a vida lá fora…
Aqui não preciso de fingir sorrisos, de deter lágrimas, de me esconder do mundo, posso simplesmente ser eu…por isso não me peças que abandone este meu cantinho encantado e enfrente o cinzento da vida, não me peças que me levante e dê a outra face para a vida me maltratar…
Não me chames! Pois assim não ouvirei a doce melodia do silêncio. Não digas que aqui não me posso refugiar…Dá-me apenas mais cinco minutos e eu prometo dar-te mão e regressar então contigo.

13.10.09

porto de abrigo



Quando o mundo parece ruir á minha volta, quando tudo q julgava como certo desaparece como areia entre os dedos…é para o teu colo que imediatamente me apetece fugir.
Quando a dor invade o meu peito de tal forma q ate o simples acto de respirar se torna difícil de concretizar e as lágrimas sufocam os meus murmúrios de pânico e medo...é o teu abraço q mais quero sentir.
Foste, és e serás sempre o meu porto d abrigo, a luz ao fundo do túnel, o farol na tempestade. Será s
empre para ti o meu primeiro pensamento quando a vida me ralhar, será sempre o teu olhar o primeiro que procurarei entre os que testemunharão os meus sucessos e vitórias mesmo quando os nossos caminhos se desencontrarem nas encruzilhadas da vida e de ti apenas restar as memórias que resistem ao esquecimento que o passar do tempo lhes impõem, fecharei os olhos e pensarei com todas as minhas forças em ti, sorrindo à medida que tantas e tão boas recordações de 1 passado em conjunto desfilarem à minha frente.
Fecharei os olhos e fugirei para ti, meu porto seguro, intemporal e constante e de novo ouvirei as tuas palavras de conforto e encorajamento, dando-me alento para nova batalha nesta guerra constante a que chamamos vida, relembrando-me que sou mais forte do q qualquer obstáculo q possa atravessar -se no meu caminho. E uma vez mais sentirei a tua falta…



"...when the storm is raging outside
You're my safest place to hide
(...)
When I feel like giving up
(...)
You understand me like nobody can
(...)
When this whole world gets too crazy
And there's nowhere left to go
(...)
You're the only truth I know
You're the road back home
(...)
You're my safest place to hide ..."
Backstreet Boys - Safest Place To Hide

20.8.09

o sonho

As palavras haviam ficado mudas, sem nexo, em puro desalinho. Na folha de papel as letras teimavam em fugir e as ideias e sentimentos tornavam-se difíceis de verbalizar.
A escuridão adensava-se tentando diluir-me em si. Tentei fugir, gritar, reagir, mas a apatia dominava-me e apenas conseguia ficar quietinha no meu canto, de ouvidos tapados e olhos cerrados recusando-me a acreditar.
E assim procurava os traços de outrora e aquele" não sei quê" que te tornava real, na minha memória essa lembrança era tão nítida que quase conseguia materializar-te ali, bem ao meu lado.
Mas nesse momento as trevas alcançaram-me, obrigando-me a encarar a verdade. Relembrar que aquela era apenas e só uma simples e inútil recordação, personificação de um tempo ido e não do agora.
Cortei todas as amarras, rompi com o passado, proibi as lembranças, esqueci os sorrisos e recordei todo o tormento, libertando-me por fim.
A medo fui abrindo os olhos, agora apenas num profundo e pesaroso vazio me encontrava.
Ao acordar os mesmos aromas, os mesmos sítios, tudo tão igual e tão diferente ao mesmo tempo!

11.6.09

o encontro...parte 2

Quando te vi apenas queria correr para ti, prender-te nos meus braços e não mais te largar…mas hesitei e não o fiz. O olhar de outrora cedera lugar a esse que agora me mira, a doçura desapareceu e a inocência transformou-se em desconfiança.
Contudo foi o gelo no tom do teu seco “olá” que me fez desistir de qualquer reaproximação. A atitude de indiferença, de superioridade não permitiu que eu reconhecesse mais quem eu amava.
Já não recordo o motivo da nossa briga nem de como por teimosia deixamos que ela nos afastasse assim…sem retorno aparente.
Viro costas e parto, parto por não conseguir “gritar-te” todo o que sinto, até ficar sem voz, até conseguir resgatar aquela tão doce menina que dela me deixou prisioneiro…

2.6.09

o encontro...parte 1


Quando te olho o tempo pára, o resto do mundo desaparece e ficas apenas tu. Como podes estar a escassos passos de mim e ao mesmo tempo tão distante? Se mergulho nos teus olhos perco-me nas dúvidas que eles me suscitam…
Queria quebrar a rigidez que não me deixa mexer, queria recuperar o fôlego que a tua presença me rouba e de ti me aproximar, só mais um pouco, só o suficiente até te conseguir abraçar, só o suficiente até no teu sorriso me encontrar novamente…
Mas tu viras costas, segues em direcção oposta à minha…apenas então sou capaz de me mover novamente, correr para o meu cantinho e retirar a máscara de frieza e indiferença que tão fragilmente me protegem.
Naqueles breves segundos, tentei esquadrinhar no teu olhar uma breve lembrança do nosso passado, mas nele apenas encontrei…desprezo, desdém, desinteresse…e antes que eu possa dizer mais do que um bobo "olá", partes, uma vez mais…

23.5.09

a dança


Nesta nossa dança constante, de rodopiar me cansei, perdi o ritmo, troquei os passos.
Não te aproximes mais se é para te afastares logo de seguida. Não dances tão perto de mim, larga a minha mão e deixa-me trocar de par, tentar aprender novamente a dançar agora que uma música diferente começa a tocar.
Quero uma vez mais que esta me guie, fechar os olhos e esquecer o mundo que me rodeia, sorrir para a vida e ser feliz… Quero ir para o centro da pista e ser dela rainha.
Não dances assim tão colado a mim, se logo depois me afastas de ti. Liberta-me da prisão do teu corpo, ao pé de ti não quero estar mais, e dançar deste modo não já consigo…