21.12.10

...para ninguem em particular, para todos em geral...


















"...e hoje o mais dificíl e triste é ver que estamos tão distantes quando ja estivemos tão próximos..."

30.9.10

Do sentimento de impotência...


Certa vez alguém me disse “…Tens esse dom.... Alem de seres imensamente sentimental e carinhosa com o próximo, consegues perceber os problemas que afectam os outros e as suas angústias…”Talvez tenha razão, talvez saiba “ler almas”, perceber pessoas, talvez preste uma atenção especial a todas as entrelinhas que estão subjacentes a determinada conversa, ligue gestos a olhares e ouça palavras gritadas em silêncio…
Ou talvez não e apenas aquilo que vejo, pressinto ou especulo esteja bem patente em todas essas pessoas, bastando apenas um olhar mais prolongado do mundo que as rodeia, talvez haja apenas quem precise de ser ouvido e apenas eu me limite a estar no sítio certo em hora oportuna.
Contudo a verdade é que por vezes dou por mim a ser testemunha de mágoas e dores alheias, limitando-me a ouvir desabafos, secar lágrimas, dando palmadinhas de conforto e balbuciando palavras, conselhos ou opiniões…
Mas e quando isso não parece ser suficiente? Para que serve esse “dom” quando apenas ouvir e/ou aconselhar parece tão insignificante? Como acalmar o sentimento de impotência e toda a angustia de querer fazer sempre mais mas não saber o quê ou como?


"As grandes oportunidades de ajudar os outros raramente acontecem,
 mas as pequenas surgem todos os dias."
Desconheço a autoria

8.9.10

Pelo Sul...



Rumo a sul, medo e excitação fundiam-se num só, perguntas e dúvidas assaltavam-me a mente.
Pelo sul, belas, diversas e diferentes paisagens envolveram-me num doce e terno abraço, o burburinho das ondas do mar e do silêncio alentejano, silenciou todas as dúvidas, mágoas e medos que assolavam a minha alma e por alguns dias uma tão desejada paz acalentou o meu espírito.
Em pleno sul miminhos aconchegaram-me o ego, pessoas mudaram a minha forma de ver o mundo, marcaram a minha vida. Por breves instantes voltei a ser criança, corri descalça pela areia molhada, brinquei com as ondas, construí castelos dos quais era soberana.
No sul recarreguei baterias, reforcei forças e reencontrei-me…


Ao som de:Rumo ao sul - Ana Moura

"Aquele que parte nunca é o mesmo que regressa" 
Octavio Ianni

5.8.10

Já te aconteceu?

Já te aconteceu…
Palavras bonitas anularem completamente todas as duras críticas?
Qualidades abafarem defeitos por muitos que sejam e por muito que te irritem?
Algo poder ser tão bom e tão mau ao mesmo tempo?
Alguém ser capaz de ter fazer sorrir e chorar simultaneamente?
Quereres fugir o mais rapidamente possível para o lugar mais longínquo mas ainda assim dares por ti a permanecer no mesmo sítio?
Compreenderes que te encontras presa num ciclo vicioso, cometendo os mesmos erros, tomando as mesmas decisões continuadamente, mesmo sabendo a partida que o caminho a seguir deveria ou teria de ser outro?
Já te aconteceu…
Chegar ao ponto de não saber o que fazer, como lidar com algo ou alguém?
Parecer que todas as tuas palavras ou atitudes são mal entendidas e mal interpretadas?
Apenas querer atenção e carinho, demonstrações de afecto e de amizade?
Apetecer-te deixar de frequentar os mesmos lugares, de veres as mesmas pessoas e partir a descoberta d algo novo, de algo que por momentos te faça esquecer todo o que por dentro te consome e te impede de avançar?
Já te aconteceu?




"Nao se preocupe em entender a vida, viver ultrapassa qualquer entendimento!"
desconheço o autor

18.7.10

Não vou por ai....


Não vou por ai, se ir por ai me fizer perder de mim mesma, se não for capaz de mostrar gentileza a quem por mim passar só porque algures na estrada percorrida alguém me presenteou com animosidade.
Certamente não irei por ai se pretenderes que faça das excepções, regras, e me comporte tal qual como a maioria do mundo se comporta. Recuso-me a deixar-me ser algo menos que sonhadora.
Não sou nem quero ser aquilo em que teimas em me querer transformar. Serei então uma idealista inveterada e incorrigível, se assim preferires, por procurar incessantemente a bondade, altruísmo e amabilidade da humanidade e por muito que me tentes dissuadir acorrentando os meus pés ao chão, mostrando-me inúmeros dissabores e amargos de boca nesta multidão que me rodeia e que um dia achei amistosa…mesmo assim não irei por ai.
Prefiro ir por aqui, trilhar sozinha um novo rumo, refutando todas as tuas provas e argumentos contra. Por aqui, por onde vou, encontro pessoas raras, tão espontâneas que anulam a inimizade de todos esses casos, com os quais teimas em me confrontar.
Por aqui sigo sozinha, bem o sei, de braços abertos e prontos para rodearem num abraço sentido, quem a isso estiver disposto. Chamas-me ingénua, mas ingénua já não sou. Não parto, convicta que não encontrarei esses espinhos que definem a tua trilha, simplesmente parto sabendo que esses serão facilmente abafados pelo perfume e textura de tão belas rosas!
Apelida-me de insana e de masoquista então, contudo, ainda assim não abdicarei dos meus gostos e maneira de ser, continuarei a gostar dos mesmos tipos de livros e filmes, dos clichés românticos e previsíveis, dos “coraçãozinhos na cabeça” e da visão mais ou menos cor-de-rosa do mundo. Serei louca por fim, mas pelo menos não serei mais uma céptica incapaz de ver para além do óbvio, para quem tudo terá que ser preto ou branco.
Irei por aqui, pois só por aqui poderia e saberia ir.



Não, não vou por aí!

Só vou por onde

Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?


José Régio in Cântico Negro

( a inpiraçao para o texto)

8.7.10

...a ti



"Vem, permanece ao meu lado apenas alguns minutos, tenta encaixar-me nessa tua agenda sempre tão preenchida e segreda ao meu ouvido a tua fórmula mágica!
Confidencia-me o segredo por detrás do sorriso constante com que encaras a vida e da gargalhada contagiante e tão única com a qual combates as ironias do destino.
Ensina-me a eliminar os fantasmas do passado sem deixar que eles me definam ou me levem de vencida.
Espera! Fica apenas um pouco mais…deixa-me então revelar-te algo: admiro-te, sabias?
Admiro a tua garra, a tua tenacidade, a tua alegria de viver. Aprecio a forma como encaras os teus problemas e os superas quando seria muito mais simples e fácil cruzar os braços e deixar-te ser engolida por eles.
Prezo cada abraço que me cedes parecendo sempre saber o quão dele preciso, sem nada perguntar, sem nada dizer, apenas me envolvendo silenciosamente em teus braços sorrindo…
Admiro-te ainda por com um simples olhar decifrares a minha alma, vendo-me realmente e com uma pergunta tão natural (“está tudo bem?”) conseguires quase fazer ruir por completo, os muros com os quais me protejo.
Sabes? Talvez tenha sido como tu dizes, talvez tenha sido o facto de termos histórias de vida similares, o que me levou a gostar instintivamente tanto de ti logo no inicio.
Confessas ser mútua esta minha admiração (não percebo muito bem porquê, quando apenas ambiciono ser um pouco mais parecida contigo), mas a ti confesso seres tu o modelo que tomo como exemplo e pelo qual me tento guiar sempre a vida teima em me ralhar! =)
Agora sim, já podes partir e voltar a esse constante corrupio em que vives (talvez o segredo resida ai mesmo, sem seres capaz de te abstraíres no meio da multidão, ocupares de tal modo o teu tempo que não sobrem segundos para puderes lamentar os percalços do caminho ou talvez não e seja mesmo apenas e só essa tua maneira de ser tão especial, tão tua…)
Adoro-te pela amiga, adoro-te pela mulher mas adoro-te sobretudo pelo bonito ser humano que és..."


"Sabe quando a gente pensa alto? Porque acha impossível existir alguém que pense tão igual ? E vem você e diz que também se sente assim…"
desconheço a autoria

"

11.6.10

devaneio II

Quando a noite cai, quando o silêncio deixa de ser abafado pelo barulho do dia e a solidão reina…tento reencontrar-me e redefinir-me no escuro do meu quarto. Tento recuperar os traços, por mim mais queridos, de uma personalidade perdida…
Depois de tantas batalhas travadas, de tantas encruzilhadas e percalços enfrentados, perdi-me de mim própria e hoje sou incapaz de dizer quem ou como sou! Não lamento nenhuma das duras batalhas, de todas sai vencedora, com todas aprendi e cresci. Cada uma ensinou-me que sou mais forte do que acho ou do que pareço, contudo cada uma levou consigo a pouco e pouco, talvez, o que de melhor havia em mim…
Hoje apenas lamento a perda daquela menina ingénua que via o mundo a cor-de-rosa, dava sempre o melhor de si sem olhar a quem e acreditava no melhor das pessoas. Hoje lamento não conseguir mais olhar para alguém não estando de pé atrás sobre as suas reais intenções, não ter vontade de ajudar só por ajudar e sentir me bem com isso… Lamento ter perdido o dom (se alguma vez o ouve) de instantaneamente conhecer as pessoas, de as escutar e ajudar como puder…
Vejo-me incapaz de investir em novas relações com medo de novamente sair desiludida, afasto-me mais e mais das que já existem e isolo-me no meu mundo vazio de vontade e cheio de apatia…Certezas diluem-se e vejo-me a aceitar e a perdoar atitudes que antes não seria capaz…
Não sei dizer quem sou nem quem não sou, não sei de onde venho, onde estou nem para onde vou…
Lá fora o sol nasce, mais uma noite que termina sem que eu tenha conseguido ser bem sucedida na minha demanda.


"Que a coragem não me falte, ao acordar
Que o olhar não se turve, se chorar
Que os ombros não se curvem, se pesar
Que o sorriso não esmoreça, se gelar
Que o meu passo não vacile, se doer
Que o sonho não desista, se sofrer
Que as mãos não se fechem, se perder
Que o medo não me vença, se vier
Que, enfim, o dia nasça devagar
E a lua, devagar, vá descansar
Que eu preciso de mim para viver
E não passo sem aquilo que sei ser."
Maria Carrilho

10.6.10

Ausência



"Para quem ama, não será a ausência a mais certa, a mais eficaz, a mais intensa, a mais indestrutível, a mais fiel das presenças?"

13.5.10

Queres que seja sincera ou que diga aquilo que pretendes ouvir?



Queres que seja sincera ou que diga aquilo que pretendes ouvir?
A verdade é que quando me perguntas se estou bem só o fazes por descargo de consciência ou então por ser aquela pergunta banal que toda a gente faz…e quando eu te respondo que sim, é apenas porque não pretendo falar do assunto, quando sei que a preocupação não é sincera, quando o meu orgulho se sobrepõe a qualquer vulnerabilidade.
Então digo aquilo que pretendes ouvir e omito a verdade, mesmo quando só a ti a seria capaz de admitir…
Queres que seja sincera ou que diga aquilo que pretendes ouvir? Não digas que ambas são a mesma coisa se quando te confio as minhas inseguranças e receios, mesmo meios camuflados, te mostras incapaz de prestar atenção às palavras que pela minha boca desfilam!




" Não é bom que toda a verdade revele tranquilamente a sua essência; 
e muitas vezes o silêncio é para o homem a melhor decisão." 
Píndaro

9.4.10

Olhas-me…mas ainda me verás realmente? Para além das palavras, dos gestos, dos subterfúgios?
Ouves-me…mas por trás desse aparente desinteresse, será que na realidade me escutas?
A diferença não reside nos grandes actos, mas sim nos mais mundanos, banais e quiçá para ti insignificantes. Não no que é dito, mil vezes repetido, mas em todas as palavras abandonadas face à indiferença perante o dize-las ou não, na recusa em novamente formular pedidos nunca atendidos, permanece no isolamento e no silêncio com que me blindo.
A diferença está entranhada em mim….reflectida em ti e espelhada em nós…
(...)
"Para que gritar, quando o próprio silencio berra?" 
Desconheço a autoria