29.3.11

Porque hoje aqui, ainda existe tanto de ti...

Porque hoje aqui, ainda existe tanto de ti! Num dia perdido algures pelos baús das lembranças, na sombra de uma conversa nova mas que usa falas antigas, num filme que grita por ti, em citações de um livro, em lugares onde o vento sussurra o teu nome, numa música que parece te procurar...no lado sombrio da minha memória ao qual te condenei... Porque hoje aqui, ainda existe tanto de ti, mesmo quando aí, nada de mim parece haver!

17.3.11

Talvez se fechar rapidamente os olhos, virar as costas e respirar fundo as impeça de cair… Talvez se gritar ao vento, alivie este sufoco e ninguém note… Talvez se me rodear de gente, de um barulho infernal, consiga deixar de pensar… Mas no silêncio da noite, não há forças para as impedir, não há ninguém de quem seja preciso esconder, não há barulho suficiente que abafe a tristeza… E assim sou vencida, adormeço de exaustão de tantas lágrimas derramadas, nelas expio todas as ilusões que por um motivo ou outro achei possível um dia concretizar, nelas procuro forças para aguentar mais um dia, apenas mais 24h… Sou conhecida pelo meu pessimismo crónico, mas a verdade é que por muito que queira é difícil não o ser quando se é constantemente rastejada pela vida, acabo sempre eventualmente por me levantar é verdade, mas apenas porque sei que se não o fizer ninguém o fará no meu lugar…


"Volta teu rosto sempre na direção do sol e então as sombras ficarão para trás." Provérbio oriental

4.2.11

O que o meu silêncio esconde

Pedes-me respostas, que quebre o silêncio que nos últimos meses me blinda sem jamais perceberes que nele residem todas as respostas, sem sequer notares que talvez este exprima algo inenarrável.
Ofereces-me o teu ombro para desabafar, reafirmas promessas antigas e no entanto mostraste incapaz de verdadeiramente me consolar, com o mais simples dos gestos. Não percebes, ou talvez não queiras perceber o que o meu silêncio esconde.
Olhas-me nos olhos mas não me vês, contentas-te em saber o que se passa de forma superficial e desinteressada e tão pouco te dás ao trabalho de procurar compreender, bem lá no fundo deles, esta súbita ausência de palavras.
Não me peças que explique (ou que pelo menos o tente fazer), o turbilhão de emoções que a minha boca aprisiona, não tentes descortinar o meu silêncio nem o estranhes, se em troca não estiveres disponível para marcar a diferença entre o quebrar ou não.
Saberás tão bem como eu, se já algum dia to permitiste experimentar a veracidade desse lugar-comum que se torna dizer, que temos a mais longa das conversas numa troca de olhares silenciosa, onde o reconhecimento de que realmente a pessoa que nos mira nos conhece e nada mais se torna necessário que apenas a certeza de nos sabermos acompanhadas independentemente do que se tenha de enfrentar.
Dizes notares-me estranha, distante e fria, perguntas-me enfim o que encobre o meu silencio…encobre talvez alguém que começa a mostrar sinais de cansaço na crença ate agora inabalável para quem era ou não importante, esconde a ausência de forças para continuar a dar sem em troca, algo receber…
Se ainda não o percebeste ele diz-te que prefiro não investir, refugiar-me em mim e recusar-me a precisar de alguém com quem partilhar os meus problemas mesmo que estes se tornassem, talvez assim mais suportáveis.
Se me conheces minimamente saberás que não é o rancor, egoísmo ou o egocentrismo que me move mas apenas uma necessidade cada vez mais premente de auto-preservação e de me pôr em primeiro lugar em detrimento do outro…




" O único silêncio que perturba, é aquele que fala, e fala alto. É quando ninguem bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada, não há recados na secretária eletrônica, e mesmo assim você entende a mensagem."
Martha Medeiros

23.1.11

Odeio...


Odeio...perceber que me consegues ler a alma no silêncio de uma troca de olhares!!

16.1.11

(...)



Fechei o meu coração para nele proceder a uma total remodelação...
Quero rever as cores que o caracterizam, rodear-me de nomes e memórias e avaliar muito bem quais deverão ainda permanecer forrando as paredes do mesmo e quais estarão de tal modo danificadas por expectativas frustradas, que o melhor mesmo será guarda-las no baú das lembranças la bem no fundo da minha memória fechando-as a sete chaves com tudo o que um dia me desiludiu e magoou.
Quero abrir as janelas para que areje, para que a escuridão em que se encontra seja substituída por uma esperança luminosa num futuro melhor.
Depois de ter dado uma limpeza profunda, ter varrido tristezas e amarguras para bem longe e ter limpo manchas deixadas por decepções, deixo a porta entreaberta para que sentimentos como o amor, amizade e alegria nele encontrem um lar, para que novas pessoas o inundem com novos momentos memoráveis e sorrisos ternos e doces...
Parece novo o meu coração agora à vista desarmada, mas bastará um olhar apenas um pouco mais prolongado para facilmente ver as fendas nas paredes que o novo papel de parede parece incapaz de encobrir ou a presença silenciosa da desconfiança, a qual se mostrou irredutível na decisão de dali sair permanecendo juíza de todos esses novos moradores que quero que povoem o meu coração...



"No matter if we are strong, trauma always leave a scar. They follow us to our homes, change our lives. Traumas tip to everyone, but maybe that´s the reason. All the pain, fear, idiocy. Maybe it's living that makes us go forward, is what drives us. Maybe we need to drop a bit to raise it again."

in Grey's Anatomy- Elevator Love Letter

6.1.11

Incertezas


"E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira e com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te e vai para onde ele te levar." Susanna Tamaro




O que fazer quando nem o próprio coração parece saber qual a melhor estrada a seguir? Se aquela que partilho com todos os considerados essenciais até agora ou se uma nova pela qual deva partir sozinha, liberta de todo esse passado partilhado?

Por quanto tempo deverei eu ficar sentada à espera sem optar por uma, silenciosamente à espera que algo aconteça suficientemente revelador para que eu consiga escolher?

Como distinguir se para esses mesmos ditos e apelidados antes de "essenciais" ainda o serão realmente ou se não se terão apenas transformado em meros conhecidos?

Odeio esta incerteza e insegurança que me caracteriza mas odeio ainda mais a cobardia das pessoas que se mostram incapazes de ter uma conversa clara e definitiva, apenas se limitando a deixar o tempo passar até que outros decidam por eles!!

23.12.10

o texto que nunca te invi(ar)ei


Hoje, todas as linhas escritas, todas as palavras sentidas, todo o sentimento reprimido me parecem tão insignificantes, tão
idiotas....leio e releio textos que sei serem meus e recordo todas as lágrimas
caídas durante a sua composição...mas a recordação é vaga, como se as memórias
fossem de outro alguém, como se de um sonho se tratasse e daí resultar algo tão
dúbio...
Leio uma vez mais todos os textos onde em vãs e toscas tentativas
tentei encobrir a verdade, leio e não consigo evitar rir-me de tamanha estupidez!
Hoje olho para trás e não encontro as razões que justifiquem as palavras, o
sentimento, a confiança e segurança. Recordo vagamente de um dia já ter sido
capaz de as enumerar, de apontar todas e cada uma delas, claramente...mas se as
procuro entre os traços largos do presente apenas me deparo com esta sensação de
estupidez pura e simples.
Estupidez nas palavras, nos actos, nos
sentimentos, nas ilusões e esperanças. Estupidez e ingenuidade na atitude
tomada, ingenuidade tão característica dos que trilham pela primeira vez terra
desconhecida e a estupidez que caracteriza o amor! Se amamos, se realmente
gostamos, agimos como genuínos idiotas, mas também se assim não fosse amor não seria
amor.
Hoje tudo parece não ter passado de uma grande estupidez, ter exposto
assim todas as dúvidas, todos os receios e sentimentos, parece mas não foi pois não
retiraria uma vírgula por mais parvo que fosse, era apenas o reflexo do que
sentia por ti, se tal o fizesse trairia a minha forma de ser e estar no mundo,
sou sincera acima de tudo, mesmo quando as palavras proferidas não têm eco em quem
as ouve, mesmo quando o silêncio de quem as acolhe me dilacera o peito e hoje,
negar todas as letras, palavras e textos seria minimizar todos os momentos,
todos os sentimentos e todas as aprendizagens.
Hoje, se algo existe a
lamentar, é não ter saído uma paragem mais cedo do comboio de emoções que o teu
nome acarretava, uma não, várias!!! Pois hoje, todos os motivos e razões que me
fizeram permanecer em tal rodopio de sentimentos parecem mentira ou pelo menos,
não se mostram suficientemente significativos para tal atitude, não de ambas as
partes. Mas não foi em vão, nada o é, se dos destroços de uma amizade nada se pode
aproveitar pelo menos a experiência permanece, qual sentinela atenta a qualquer
tentativa de repetição de erros passados.
Agora de todo esse emaranhado de
dúbias emoções apenas tristeza e pena restam por ver em ruínas algo que julguei
tão nosso, tão verdadeiro, tão importante para ambos, por ter que admitir que não
és mais um porto de abrigo das tempestades da minha vida, a palavra certa em
momento oportuno e não seres mais do que capítulo fechado no livro da minha
vida...
Se estou magoada? Estou. Desiludida? Muito, mais do que contigo,
do que comigo...connosco, por não termos sido capazes de manter viva a causa maior
sem a qual nada teria e valeria a pena!


"O amor é o mestre admirável que nos ensina a ser o que nunca fomos, mesmo que muitas vezes as suas lições mudem completamente os nossos costumes" - desconheço a autoria

21.12.10

...para ninguem em particular, para todos em geral...


















"...e hoje o mais dificíl e triste é ver que estamos tão distantes quando ja estivemos tão próximos..."

30.9.10

Do sentimento de impotência...


Certa vez alguém me disse “…Tens esse dom.... Alem de seres imensamente sentimental e carinhosa com o próximo, consegues perceber os problemas que afectam os outros e as suas angústias…”Talvez tenha razão, talvez saiba “ler almas”, perceber pessoas, talvez preste uma atenção especial a todas as entrelinhas que estão subjacentes a determinada conversa, ligue gestos a olhares e ouça palavras gritadas em silêncio…
Ou talvez não e apenas aquilo que vejo, pressinto ou especulo esteja bem patente em todas essas pessoas, bastando apenas um olhar mais prolongado do mundo que as rodeia, talvez haja apenas quem precise de ser ouvido e apenas eu me limite a estar no sítio certo em hora oportuna.
Contudo a verdade é que por vezes dou por mim a ser testemunha de mágoas e dores alheias, limitando-me a ouvir desabafos, secar lágrimas, dando palmadinhas de conforto e balbuciando palavras, conselhos ou opiniões…
Mas e quando isso não parece ser suficiente? Para que serve esse “dom” quando apenas ouvir e/ou aconselhar parece tão insignificante? Como acalmar o sentimento de impotência e toda a angustia de querer fazer sempre mais mas não saber o quê ou como?


"As grandes oportunidades de ajudar os outros raramente acontecem,
 mas as pequenas surgem todos os dias."
Desconheço a autoria

8.9.10

Pelo Sul...



Rumo a sul, medo e excitação fundiam-se num só, perguntas e dúvidas assaltavam-me a mente.
Pelo sul, belas, diversas e diferentes paisagens envolveram-me num doce e terno abraço, o burburinho das ondas do mar e do silêncio alentejano, silenciou todas as dúvidas, mágoas e medos que assolavam a minha alma e por alguns dias uma tão desejada paz acalentou o meu espírito.
Em pleno sul miminhos aconchegaram-me o ego, pessoas mudaram a minha forma de ver o mundo, marcaram a minha vida. Por breves instantes voltei a ser criança, corri descalça pela areia molhada, brinquei com as ondas, construí castelos dos quais era soberana.
No sul recarreguei baterias, reforcei forças e reencontrei-me…


Ao som de:Rumo ao sul - Ana Moura

"Aquele que parte nunca é o mesmo que regressa" 
Octavio Ianni