14.6.11

Odeio momentos como este…momentos onde não parecem haver palavras capazes de expressarem o que sinto, o que penso, procuro a melhor maneira de te transmitir o mais fidedignamente possível esta sensação que me aperta o peito, este sentimento que se esconde nas sombras dos meus olhos, este pensamento que ecoa na minha mente.
As palavras tornam-se estranhas, pela primeira vez inimigas nesta luta eterna que contigo travo, desfilando pela minha boca antes mesmo de eu ter tempo de melhor as poder escolher e acabo por proferir exactamente o oposto ao que realmente quero, preciso de dizer.
O meu discurso é assim confundido com antipatia ou ressentimento, mas é apenas a verbalização da mágoa de alguém que tanto investiu e não encontrou retorno, da necessidade de auto preservação que se sobrepõem a qualquer sentimento. Não sei se simplesmente não consegues distinguir uma coisa da outra ou se pelo contrário não queres saber de todo.
Apetece-me gritar de raiva e frustração com este nosso aparente problema de expressão que aos poucos e poucos vai destruindo uma amizade de anos, vai apagando momentos únicos e insubstituíveis, diluindo confissões e segredos partilhados, afastando duas pessoas que outrora já foram as melhores amigas e que nos percalços da vida parecessem se irem perdendo.
Hoje escrevo para ti, (dando mais uma vez razão a quem antigamente já me acusou de me refugiar na folha de papel para me expressar e apenas e só aqui ser capaz de ser directa, pois) assim é mais simples dizer-te: como esta tua amiga sente a tua falta, que isso a faz gritar e atacar-te quando apenas te quer abraçar, que cala a saudade e aprisiona a vontade de te ligar diariamente porque precisa de sentir que te faz falta, que a ausência é mutuamente sentida, que também tu procuras o caminho comum que nos reúna novamente…




"A friendship can weather most things and thrive in thin soil; but it needs a little much of letters and phone calls and small, silly presents every so often - just to save it from drying out completely."
Pam Brown

Ao som de: Quero sim - Paula Fernandes

22.4.11

Menina de olhar sonhador

- Menina de olhar sonhador, desça dessa sua torre e conceda-me uma oportunidade de a corte lhe fazer…
- Caro galanteador, não percebe que se o fizer toda a graça se perde? Se for fácil e acessível o caminho por nós partilhado, permanecerá quando a primeira barreira nele se interpor? Contarei com a sua mão quando escorregar? Dará o mesmo valor a algo tão facilmente conquistado como daria a algo que o relembra-se diariamente o quão difícil foi conquista-lo? Veja bem, não é por excesso de orgulho, altivez ou vaidade que não acedo ao seu pedido…é apenas por saber não ser capaz de ao seu lado permanecer se não tiver a certeza que o nosso amor não vacilará ou perecerá ao primeiro dissabor.
- Mas menina não teme acabar sozinha de tanto complicar e querer o amor explicar?
- Se realmente me cativar perceberá que a solidão não me assusta, aliás é sempre preferível ao vazio de certas relações, posso até para sempre permanecer sozinha entre tantas idealizações do par perfeito feitas mas pelo menos não ficarei presa nesse ciclo vicioso e por vezes tão destrutivo que dá pelo nome de amor…
- Desculpe mas não a consigo perceber, mas eu apenas amo pelo simples prazer que me concede a pessoa amada, não procuro razoes, lógicas ou explicações em todo esse processo!
- Então não merece que eu me canse a descer esta escadaria para ir ao seu encontro…também eu amo pelo mesmo motivo, apenas a maneira de amar é que é distinta! Não consigo gostar do que não percebo ou entendo e para tal preciso de o analisar e se realmente um ao outro estivéssemos destinados, não necessitaria de lho explicar!






"In order to be irreplaceable, one must always be different."
Coco Chanel

11.4.11

Palavras que poderiam ser minhas...



“Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura. Grave e metódica até à mania, atenta a todas as subtilezas de um raciocínio claro e lúcido, não deixo, no entanto, de ser um D. Quixote fêmea a combater moinhos de vento, quimérica e fantástica, sempre enganada e sempre a pedir novas mentiras à vida, num dar de mim própria que não acaba, que não desfalece, que não cansa.” (Florbela Espanca)
















Porque poderiam ser palavras minhas, porque há pouco mais de um ano me ofereceram um livro desta senhora em cuja a poesia me revejo muitas das vezes...

ODEIO

ODEIO que nos momentos importantes da minha vida....estando tu mesmo ausente, continues presente no meu pensamento e vontade de te ter ali....=/

29.3.11

Porque hoje aqui, ainda existe tanto de ti...

Porque hoje aqui, ainda existe tanto de ti! Num dia perdido algures pelos baús das lembranças, na sombra de uma conversa nova mas que usa falas antigas, num filme que grita por ti, em citações de um livro, em lugares onde o vento sussurra o teu nome, numa música que parece te procurar...no lado sombrio da minha memória ao qual te condenei... Porque hoje aqui, ainda existe tanto de ti, mesmo quando aí, nada de mim parece haver!

17.3.11

Talvez se fechar rapidamente os olhos, virar as costas e respirar fundo as impeça de cair… Talvez se gritar ao vento, alivie este sufoco e ninguém note… Talvez se me rodear de gente, de um barulho infernal, consiga deixar de pensar… Mas no silêncio da noite, não há forças para as impedir, não há ninguém de quem seja preciso esconder, não há barulho suficiente que abafe a tristeza… E assim sou vencida, adormeço de exaustão de tantas lágrimas derramadas, nelas expio todas as ilusões que por um motivo ou outro achei possível um dia concretizar, nelas procuro forças para aguentar mais um dia, apenas mais 24h… Sou conhecida pelo meu pessimismo crónico, mas a verdade é que por muito que queira é difícil não o ser quando se é constantemente rastejada pela vida, acabo sempre eventualmente por me levantar é verdade, mas apenas porque sei que se não o fizer ninguém o fará no meu lugar…


"Volta teu rosto sempre na direção do sol e então as sombras ficarão para trás." Provérbio oriental

4.2.11

O que o meu silêncio esconde

Pedes-me respostas, que quebre o silêncio que nos últimos meses me blinda sem jamais perceberes que nele residem todas as respostas, sem sequer notares que talvez este exprima algo inenarrável.
Ofereces-me o teu ombro para desabafar, reafirmas promessas antigas e no entanto mostraste incapaz de verdadeiramente me consolar, com o mais simples dos gestos. Não percebes, ou talvez não queiras perceber o que o meu silêncio esconde.
Olhas-me nos olhos mas não me vês, contentas-te em saber o que se passa de forma superficial e desinteressada e tão pouco te dás ao trabalho de procurar compreender, bem lá no fundo deles, esta súbita ausência de palavras.
Não me peças que explique (ou que pelo menos o tente fazer), o turbilhão de emoções que a minha boca aprisiona, não tentes descortinar o meu silêncio nem o estranhes, se em troca não estiveres disponível para marcar a diferença entre o quebrar ou não.
Saberás tão bem como eu, se já algum dia to permitiste experimentar a veracidade desse lugar-comum que se torna dizer, que temos a mais longa das conversas numa troca de olhares silenciosa, onde o reconhecimento de que realmente a pessoa que nos mira nos conhece e nada mais se torna necessário que apenas a certeza de nos sabermos acompanhadas independentemente do que se tenha de enfrentar.
Dizes notares-me estranha, distante e fria, perguntas-me enfim o que encobre o meu silencio…encobre talvez alguém que começa a mostrar sinais de cansaço na crença ate agora inabalável para quem era ou não importante, esconde a ausência de forças para continuar a dar sem em troca, algo receber…
Se ainda não o percebeste ele diz-te que prefiro não investir, refugiar-me em mim e recusar-me a precisar de alguém com quem partilhar os meus problemas mesmo que estes se tornassem, talvez assim mais suportáveis.
Se me conheces minimamente saberás que não é o rancor, egoísmo ou o egocentrismo que me move mas apenas uma necessidade cada vez mais premente de auto-preservação e de me pôr em primeiro lugar em detrimento do outro…




" O único silêncio que perturba, é aquele que fala, e fala alto. É quando ninguem bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada, não há recados na secretária eletrônica, e mesmo assim você entende a mensagem."
Martha Medeiros

23.1.11

Odeio...


Odeio...perceber que me consegues ler a alma no silêncio de uma troca de olhares!!

16.1.11

(...)



Fechei o meu coração para nele proceder a uma total remodelação...
Quero rever as cores que o caracterizam, rodear-me de nomes e memórias e avaliar muito bem quais deverão ainda permanecer forrando as paredes do mesmo e quais estarão de tal modo danificadas por expectativas frustradas, que o melhor mesmo será guarda-las no baú das lembranças la bem no fundo da minha memória fechando-as a sete chaves com tudo o que um dia me desiludiu e magoou.
Quero abrir as janelas para que areje, para que a escuridão em que se encontra seja substituída por uma esperança luminosa num futuro melhor.
Depois de ter dado uma limpeza profunda, ter varrido tristezas e amarguras para bem longe e ter limpo manchas deixadas por decepções, deixo a porta entreaberta para que sentimentos como o amor, amizade e alegria nele encontrem um lar, para que novas pessoas o inundem com novos momentos memoráveis e sorrisos ternos e doces...
Parece novo o meu coração agora à vista desarmada, mas bastará um olhar apenas um pouco mais prolongado para facilmente ver as fendas nas paredes que o novo papel de parede parece incapaz de encobrir ou a presença silenciosa da desconfiança, a qual se mostrou irredutível na decisão de dali sair permanecendo juíza de todos esses novos moradores que quero que povoem o meu coração...



"No matter if we are strong, trauma always leave a scar. They follow us to our homes, change our lives. Traumas tip to everyone, but maybe that´s the reason. All the pain, fear, idiocy. Maybe it's living that makes us go forward, is what drives us. Maybe we need to drop a bit to raise it again."

in Grey's Anatomy- Elevator Love Letter

6.1.11

Incertezas


"E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira e com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te e vai para onde ele te levar." Susanna Tamaro




O que fazer quando nem o próprio coração parece saber qual a melhor estrada a seguir? Se aquela que partilho com todos os considerados essenciais até agora ou se uma nova pela qual deva partir sozinha, liberta de todo esse passado partilhado?

Por quanto tempo deverei eu ficar sentada à espera sem optar por uma, silenciosamente à espera que algo aconteça suficientemente revelador para que eu consiga escolher?

Como distinguir se para esses mesmos ditos e apelidados antes de "essenciais" ainda o serão realmente ou se não se terão apenas transformado em meros conhecidos?

Odeio esta incerteza e insegurança que me caracteriza mas odeio ainda mais a cobardia das pessoas que se mostram incapazes de ter uma conversa clara e definitiva, apenas se limitando a deixar o tempo passar até que outros decidam por eles!!