12.4.12

Carta ao meu Eu passado

"Olá, eu sou o teu futuro "eu" e se estás a ler isto é porque num futuro bastante próximo finalmente descobriram alguma maneira de viajar no tempo e  a tornaram-na acessível a pessoas sem contas bancárias recheadas, como é o caso.
Apesar de sempre ter conseguido tirar algum proveito nas asneiras que vais fazer e conviver perfeitamente bem com as consequências das mesmas aqui ficam algumas dicas de coisas a evitar por serem completamente desnecessárias à tua felicidade actual (ou futura):

* Pede mais coisas ao teu pai, não sejas tão "adulta" aos dez anos de idade, os motivos que te levam a não pedir nunca se concretizarão;
* Aliás aproveita a tua infância livre de preocupações e responsabilidades, caso contrário vais querer te-la vivido mais intensamente;
* Nunca sob circunstância alguma contes à D. por quem estás apaixonada (mesmo quando já não estiveres), ela não vai achar problema nenhum contar-lhe e tu vais passar uma vergonha enorme em frente à turma toda;
* Sabes a J.? A sua amizade não vale o teu esforço;
* Não deixes que a tua prima te convença a tirar fotos à beira mar e ainda por cima com a tua máquina, ela nunca mais funcionará depois de uma onda vos molhar;
* Não deixes de tirar fotografias naquelas saídas de amigos, apenas porque estás farta do facto de seres tu a levar a máquina se ter tornado um dado adquirido para os restantes, vais sentir falta dessas fotos;
* Não faças birra por ninharias, principalmente junto daqueles que nada (ou muito pouco) tiveram a ver com elas;
* Coloca o protector solar antes de sair de casa e não apenas na praia;
* Vai a Lloret, o dinheiro que vais gastar será menos e mais bem aproveitado do que na tua tentativa de tirares a carta;
* Não comentes com ninguém que tens um blog, ele vai descobri-lo e vais deixar de poder escrever o que realmente queres/precisas;
* Esquece essa mania irracional que as pessoas não vais gostar de ler os teus comentários e começa a comentar os blogs que segues diariamente;
* Não peças ao G. para te guardar o porta moedas, ele vai perde-lo e juntamente com ele todo o dinheiro que lá tinhas;
* Recusa-te a ter uma "conversa séria" com alguém quando estás bêbeda, por muito que insistam e penses que essa seja, a única maneira de as coisas ficarem resolvidas, não ficam, vais fazer figura de idiota e vais ser incapaz de te lembrares das palavras exactas quando as tiveres que recordar um dia mais tarde;
* Não uses a ironia ou o sentido de humor como mecanismos de defesa quando o assunto é uma possível doença grave, os teus amigos não vão perceber;
* Aproveita BEM a tua vida académica, vai deixar mais saudades do que imaginas;
* Não peças ao Prof. que te deu um 17 para ver a correcção da frequência baseado no facto de ter havido 19's e achares que te tinha corrido melhor, ele vai ficar "ofendido" e nunca mais te vai dar outra nota que não seja 15;
* Não lhe mandes os teus textos, no fundo ele não os quer mesmo ler;
* Guarda as fotografias do teu último ano de secundário num cd, o teu novo pc vai ser formatado "n" vezes e vais acabar por as perder;
* Por falar em secundário...começa a fazer voluntariado mesmo que percas as tardes livres;
* Não beijes ninguém apenas porque parece valorizar-te quando quem querias que o fizesse não o faz, no dia seguinte, depois de 30 mensagens recebidas não vais achar que foi uma boa ideia;

Pronto, acho que era só isto, aconselho-te a leres esta carta até a teres decorado...vais-me poupar muitas lágrimas!
Beijinho"


A ideia deste post foi completamente "roubada" ao Ricardo, do blog Bla Bla...Blog? que após ter escrito uma carta ao seu eu passado desafiou os seus seguidores a fazer o mesmo.

"novo" desafio

Como vais vale tarde do que nunca....cumpro agora um desafio que a querida Turista do blog Turista Acidental me colocou há algum tempo atrás, ora sendo este um desafio a que já tinha respondido neste post vou só responder às suas perguntas....

1. Que blogger gostarias de conhecer ao vivo? Acho que não consigo escolher apenas um, principalmente entre aqueles com quem interajo mais seria óptimo associar um rosto a um nome/blog...

2. Se iniciasses agora um blog, como lhe chamarias? Hummm provavelmente manteria o mesmo nome, continua a fazer sentido.

3. No teu blog, escreves tudo o que te apetece? Tudo tudo não, apenas alguma coisa que considere que valha a pena ser lida.

4. A tua família tem conhecimento do teu blog? Sim, aquela que sabe minimamente o que é um blog, mas raramente o visitam.

5. Os teus amigos têm conhecimento do teu blog? Alguns, faz-me (cada vez menos mas ainda) um pouco de confusão saber que eles o leiam, por encarar este meu cantinho como um lugar onde posso desabafar e por vezes falar sobre assuntos que por um motivo ou outro não quero/posso/consigo falar com eles...

6. Por vezes encarnas uma personagem, no teu blog? Em alguns dos meus textos sim...

7. Achas que a blogosfera, reflecte a sociedade actual? Sim

8. Porquê? Sendo ela constituída por um número tão grande e variado de pessoas acho que sim (apesar da minha pouca experiência).

9. Já tiveste contactos para divulgares serviços ou produtos, no teu blog? Não

10. Aceitaste?

11. Já tiveste outro blog? Não era bem um blog (tanto que quando passou a tal privei a conta) tive um espaço no "spaces" do MSN.

10.4.12

09.04.2011

O dia amanheceu ensolarado, ao acordar a ansiedade e expectativa manifestavam-se pesadamente no meu estômago.
Vesti o traje lentamente, alisando rugas inexistentes, endireitando um nó de gravata perfeito, calcei os sapatos finalmente aos meus pés moldados, depois de tanto uso lhe ter sido dado. Observei a imagem com que o espelho me brindava, cada emblema e cada nódoa na capa preta no ombro suportada, cada fita na pasta colocada, tantas histórias e memórias ali eternizadas…
De capa traçada, passei grande parte da cerimónia, sentada perdida em pensamentos, camuflada entre tantas capas pretas que efusivamente, bem alto, abanavam as suas pastas com fitas das mais variadas cores.
Cada música, cada discurso, cada pequena acção invocava em mim memórias e sentimentos diversos e por vezes contraditórios, ora sorrisos e uma felicidade extrema, ora lágrimas de saudade há muito antecipada e receio de um futuro incerto.
Depois das insígnias impostas, era chegado o momento de por fim as fitas pelo fumo passar e esse instante, apesar de na minha memória estar para sempre gravado, não o consigo decentemente descrever. Ali, rodeada de preto e a cor do meu curso, entre uma multidão ensurdecedora de gente, por segundos o barulho, a minha mente bloqueou, enquanto os flash’s dos fotógrafos se certificavam que numa fotografia tal momento poderia ser posteriormente recordado, uma única certeza me invadia: tinha valido a pena!
Apesar de todas as dúvidas e receios, de todos os dissabores e frustrações tinha valido a pena, depois de tantas aulas, trabalhos, frequências e exames, horas de estudo e folhas e folhas de apontamentos…tinha valido a pena, por todos os momentos, por todas as pessoas que nos últimos três anos o seu caminho comigo partilharam, e pelo orgulho e felicidade que no olhar dos meus familiares e amigos eu podia testemunhar…tinha valido a pena!
Um ano passou desde daquele dia, em que rodeada de (quase) todas as pessoas importantes na minha vida as minhas fitas queimei, explicar a importância do mesmo para mim, por muito que escreva talvez nunca seja capaz, mas acredito que tenha sido exactamente naquele dia, em frente aquele pote cheio de fumo que pela primeira vez experimentei uma sensação de felicidade plena…


"Aproveite bem os momentos felizes de uma vida, porque ela é curta de mais para ficar numa simples lembrança!"
 Willy Neval

6.4.12

Se por acaso algum dia notares que notícias, da minha parte deixaste de receber,  que as demonstrações espontâneas de afecto e carinho tão características em mim, a ti deixaram de chegar...
Não me julgues precipitadamente, tira cinco minutos do teu dia e reflecte. Conta quantas mensagens ou telefonemas me dispensaste no último ano, quantos momentos importantes ou corriqueiros da tua vida, nesse mesmo espaço de tempo comigo partilhaste, nos cafés e saídas que apesar de tantas vezes prometidos/combinados nunca se concretizaram.
Não criar expectativas sobre pessoas, relações ou situações é extremamente complexo e difícil e eu, como mera humana que sou, falho constantemente tal objectivo. Assim, por mais que as expectativas sejam mínimas e que o tempo me vá tornando cada vez mais imune a decepções, estas ainda ocorrem, com mais frequência ou intensidade do que aquela que eu queria/gostaria.
Desculpa-me o silêncio no qual me refugiei nos últimos dias, desculpa-me o isolamento no meu cantinho ao qual ninguém deixo ter acesso, mas desta vez (apenas desta vez) preciso que sejas tu a apostar, a correr atrás a provar aquilo que tão facilmente se torna demasiado fácil de verbalizar.


"A vida fica bem mais fácil se você mantém baixas as expectativas de todo mundo."
Bill Waterson, in Calvin and Hobbes

p.s. Voltei! Obrigada pelos comentários e apoio/atenção e carinho com que me brindaram no meu último post. Há por vezes em mim, uma necessidade de me isolar e recolher em mim, para redefinir metas e prioridades. Prometo responder nos próximos dias aos desafios em atraso ;)

1.4.12

Era só isto...

Nos últimos dias...
permanece uma tristeza no olhar,
um sufoco no peito,
uma dificuldade em me expressar (mesmo por palavras de outros).
Não sei o porquê ou tão pouco quanto tempo durará.

25.3.12

Abraça-me apenas...

Abraça-me apenas, deixa que o meu rosto no teu ombro encontre repouso, enlaça os teus braços em meu redor e talvez assim eu finalmente encontre alguma paz.
Quebra esse silêncio no qual te refugias. Fala, graceja ou divaga sobre algo de inestimável conteúdo ou apenas assuntos mundanos e corriqueiros, mas fala…ouvir a tua voz acalma esta ânsia que me consome.
Mergulha nos meus olhos e talvez encontres as respostas que tanto procuras. Descortina lentamente cada pensamento em desalinho que na minha cabeça à muito já fez moradia.
Permanece ao meu lado por momentos e quem sabe consigas verbalizar correctamente o que eu pareço incapaz de sequer perceber quanto mais explicar…ou então, abraça-me apenas!


   (...porque dias/alturas há que me irrito com esta minha maneira de ser, e preciso de receber o que tão facilmente dou)


"O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas a de uma vela que queima."
Georg Christoph Lichtenberg

21.3.12

Eu*

"Eu
Eu sou a que no mundo anda perdida,

Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida! ...
Sou aquela que passa e ninguém vê ...
Sou a que chamam triste sem o ser ...
Sou a que chora sem saber porquê ...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou! "
Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"


...hoje é o dia mundial da poesia, soubera eu escrever assim e talvez a minha escrita tivesse valor, sou fã de poesia (confesso que apenas ainda li autores portugueses), acho que qualquer texto escrito desta forma terá mais valor, pois é necessário encontrar as palavras certas e não é qualquer uma que serve.

*... se fosse um poema teria necessáriamente que ser este...

16.3.12

Os meus pequenos nadas: o fascínio pelas Tunas Académicas




Na minha universidade há a tradição de se acabar a praxe do Concelho de Veteranos com uma actuação para todos os caloiros das diferentes Tunas existentes na academia eu, como caloira aplicadinha que fui, claro que participei e desde daí fiquei completamente apaixonada!
Como tal deixo aqui uma amostra do meu serão de ontem. A Associação Académica da minha universidade organizou  um concerto solidário (o bilhete era de dois euros ou uma contribuição em géneros alimentares a doar à Cáritas) com três das "nossas" tunas académicas. A causa era mais que nobre (como se eu precisasse de mais algum  motivo para participar).
Simplesmente adoro este tipo de música, e era ver-me completamente maravilhada a noite inteira (principalmente com a actuação desta tuna em especial).
Reflectindo bem, é apenas o segundo concerto do género a que assisto (apesar das minhas quatro matrículas, constantes no cartão de estudante) por um motivo ou por outro nunca me era possível ir...não consegui evitar pensar a noite toda na ironia de a primeira actuação ter servido de cartão de boas vindas e esta parecer um cartão de despedida, agora que o relatório está entregue  e a defesa não tarda...

"(...) o que eu sofro por te amar...
   sinto-o neste momento,
   tantas histórias por contar,
  enfim deixa que a leve o tempo...com sentimento"

Com sentimento** - 
Imperialis Serenatum Tunix

* Bom fim de semana
 **(a melhor música da noite, pena não ter um vídeo com boa qualidade para partilhar)

p.s.Como eu iria adorar uma serenata à janela numa noite de luar...




14.3.12

Quando nem eu me percebo

Quando a noite cai, o dia acalma e por fim respiro, dou por mim novamente a cair em velhos hábitos…
A apatia, companheira de tantas noites, regressa uma vez mais. Envolve-me bem forte num abraço nada amigável.
A voz emudece durante horas e a vontade, em solidariedade a ela rapidamente se junta. Procuro incessantemente o porquê de tal disposição novamente, mas respostas (se as há) nunca encontro.
Dúvidas, medos e receios tão familiares, uma vez mais povoam o meu pensamento.
Teimosa, recolho-me em mim e na escuridão tento encontrar luz. Analiso um a um todos os sentimentos que me murmuram ao ouvido, mas nenhum parece ser motivo suficiente.
O sono tarda e na escrita procuro refúgio, mas ela, só em plena madrugada concorda em colaborar. Contudo o que fica escrito é apenas um grão de areia no deserto que hoje me define...


P.S. e a impossibilidade de comentar alguns blogs perdura...

11.3.12

Singularidades minhas: a escrita (post provavelmente sem muito nexo)

Escrever tornou-se para mim, principalmente desde que este blog existe, mais do que um gosto, uma necessidade tremenda.
Escrever ajuda-me a entender sentimentos e/ou pensamentos tantas vezes confusos demais para fazerem sentido de outra forma.
Escrever é o meu escape e o meu porto seguro quando a tristeza ou apatia se apoderam de mim e, talvez exactamente por isso a maioria dos meus post's falem sempre sobre o mesmo assunto, vezes e vezes sem conta.
Ultimamente, escrever tornou-se difícil, a inspiração escondeu-se algures e não dá sinais de querer regressar. As palavras brincam comigo e recusam-se a fazer qualquer sentido ou nexo, o tempo não colabora e parece ser cada vez menos. A vontade permanece imutável, fiel guardiã desta necessidade que a cada dia é maior e que nunca se sacia...
Até o simples acto de escrever um comentário (minimamente aceitável, para mim) nos blogs que diariamente acompanho se tornou complicado nos últimos tempos.
Assim, fico quietinha no meu canto, esperando ansiosamente dias melhores


"Escrever é um excesso imperdoável que nasce da Falta."
Carpinejar


(foto retirada daqui: http://weheartit.com/entry/9363048)