Mostrar mensagens com a etiqueta momentos inspirados. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta momentos inspirados. Mostrar todas as mensagens

12.1.12

Laços



Laços tão frágeis, esses que hoje nos unem, as conversas são banais e os encontros de circunstância.
Tenho vontade de fortalecer os mesmos laços, tornando possível que estes se prolonguem no tempo e no espaço, aprofundando os pontos em comum, as mesmas opiniões sobre determinado assunto ou situação, entrelaçando duas vidas de tal forma a que nenhuma encruzilhada seja capaz de separar.
Não quero ser mais uma memória (boa ou má), mas quanto mais tento apertar todos grãos de areia nas minhas mãos, mais eles teimam em me escapar por entre os dedos e todo o potencial que vejo e encontro em sorrisos, conversas e afinidades não se concretiza e ficam condenados (para sempre talvez) ao baú onde guardo todos os meus “ses”, as possibilidades perdidas e os caminhos pelos quais não optei.
Laços demasiado finos para sobreviverem esses que um dia nos uniram, as estações sucederam-se, a chuva molhou o que o sol secou, as coisas mudaram e a vida ditou o rumo de cada um, apenas restando memórias do que poderia ter sido e não foi.
Por vezes, sinto-me tentada a abrir o baú, retirar dele lembranças de determinadas pessoas, situações, sufocar a saudade das mesmas e de um passado partilhado. Quando a curiosidade se instala apetece-me saber notícias delas, pegar no telefone e trocar novidades, tentar resgatá-las daquele dia em que os nossos destinos se separaram, traze-las para o meu presente e reforçar novamente esses laços… mas o tempo escasseia e algo acaba sempre por se sobrepor.
No entanto, guardo docemente nas páginas do meu passado, todos esses laços que tão prematuramente definharam como sei que guardarei todos, os que agora vou formando e que inevitavelmente a estes se irão juntar.



"There are things that we don't want to happen but have to accept, tings we don't want to know but have to learn, and people we can't live whithout but have to l

et go..."
(este texto já havia sido publicado, ñ sei como foi parar novamente aos rascunhos, mantem-se contudo muito actual com o meu estado de espírito)

4.1.12

(...)

Naquela altura do dia em que o sol e a lua partilham o céu por meros momentos antes de seguirem caminhos opostos, não consigo evitar a comparação connosco...sorrio com tamanha petulência, o rádio algures começa a tocar e deixo-me ser embalada pela música, mas também esta não me dá tréguas e faz-te emergir novamente no meu pensamento ao me brindar com a mesma música que tocava na última vez que ali estivemos...tu e eu, num"até já" que prometia ser breve, mas que no fim se transformou num "adeus" bem mais definitivo...
O autocarro inicia o seu trajecto e de olhar perdido pela multidão  que ora  parte  que ora chega sempre rodeada dos que lhe são mais queridos, vejo-te ali....de pé, de olhar fixo no meu, a respiração pára por segundos, a pulsação acelera e a viagem termina sem que consiga decidir se eras real ou apenas a projeção do tamanho da minha vontade em te ter ali, ou melhor, aqui...sempre ao pé de mim.
Chego a casa, na penunbra do quarto e no som da aparelhagem encontro o meu refúgio, a solidão faz-se notar como nunca até então e quando estou prestes a dar-me por vencida e deixar que ela me engola....a campainha toca e no intercumunicador ouve-se : "- por favor abre...a tua ausência está tão presente em mim que julgo ver-te onde juras-te não mais voltar..."



 

"Never say goodbye, because saying goodbye means going away, and going away means forgetting." Peter Pan

22.12.11

No meu mundo...

No meu mundo, sou princesa se assim o quiser, uma princesa forte e corajosa ou insegura e frágil, dependendo da ocasião.
Tenho um castelo enorme, cheio de passagens secretas e muros bem altos, construídos com todas as pedras que se vão cruzando no meu caminho, que me protegem das investidas de inimigos cruéis e que resiste de forma calma e serena à força destruidora da natureza.
No meu mundo, sou dona de um castelo robusto e resistente…mas apenas quando observado de fora, apenas quando as portas estão fechadas e a entrada está vedada, pois o seu interior é bem diferente. A sua estrutura assemelha-se à instabilidade de um castelo de cartas, minada por todas as minhas inseguranças e medos e as suas paredes são construídas com as marcas e vestígios de todas as batalhas perdidas ou ganhas.
No meu mundo, sou princesa detentora de uma escolta real personalizada que me segue para todo o lado, que me cerca e protege quando o perigo espreita ou as consequências de decisões mal tomadas se manifestam. Escolta essa que “toma as minhas dores” como se fossem suas e não me permite desanimar, que está sempre presente e vai testemunhado bons e maus momentos.
No meu mundo, sou princesa de um castelo e de uma escolta real…e por ambos sou responsável. Tento reinar para que o castelo não desmorone e que a escolta só testemunhe sorrisos e afectos em meu redor, sem nunca sentir necessidade de intervir, mas nem sempre se mostra uma atarefa fácil.



"Era necessário agir, equilibrando a possibilidade de coragem com a possibilidade do fracasso, com a mesma determinação de um artista de corda bamba quando se entrega à tarefa de a atravessar: nunca, em ocasião alguma, deve olhar para a distância entre si e o solo, para que a possibilidade da queda não precipite a própria queda". João Tordo - As 3 Vidas

24.11.11






A música flui livremente em meu redor, fecho os olhos e volto instantaneamente ao passado e quase que sinto o calor dos abraços, a felicidade das gargalhadas a alegria das brincadeiras…fecho os olhos e não consigo evitar o sorriso nos lábios que só tão boas lembranças seriam capazes de provocar!
Em questão de segundos volto a ser primeiro criança ingénua e inocente mergulhada em “conspirações” e planos com a melhor amiga depois adolescente tão “platónicamente” apaixonada e por fim universitária distribuidora de abraços entre praxes e saídas mudando ao ritmo dos primeiros acordes da faixa seguinte…até que acabo assim, sozinha no escuro do quarto de olhos húmidos prestes a transbordar de sentimentos que necessitam de ser reafirmados, silêncios que não podem ser apagados e saudade que aperta este humilde coração e enche a mente de memórias….
Porque a música tem esse efeito na minha vida associa-se a momentos, a pessoas, a lugares e conversas e transportando-me imediatamente para eles/elas quando as ouço novamente…


"Sometimes even though you're having a good time, you can't avoid to stop and think about how much you miss the old times..." desconheço a autoria

15.11.11

Há dias assim...



Há dias em que a inspiração falha e as palavras são sempre insuficientes e parcas para expressar o turbilhão de pensamentos e sentimentos que assolam esta que vos escreve... 
 Há dias em que a solidão e a tristeza falam e falam alto, gritando desperadamente por atenção e a casa parece sempre vazia por mais pessoas que acolha.
Dias há em que a saudade se acorrenta no coração, finca pé e torna-se presença constante no pensamento por aquele aperto do peito que teima em se fazer notar...
O silêncio projecta trechos de conversas, gargalhadas e momentos passados, os lugares são ainda os mesmos, as personagens também, mas tudo é diferente se tento resgatar velhas sensações estam soam a farsa.
O sentimento, mesmo assim permanece, mas parece diluir-se algures nos kms que nos separam.
O tempo, esse é escasso, quando tento reunir os amigos de outrora, os colegas de aventuras e desventuras, as pessoas que fizeram de mim quem sou e a quem devo tanto, mas  é sempre demasiado longo quando o dia se manifesta assim....cinzento de mais sem o mínimo vestígio de arco-irís que me faça dançar à chuva de sorriso estampado no rosto!
Há dias assim...em que apenas queria um abraço daqueles bem apertados e um sussuro ao ouvido que murmurasse "...ainda bem que regressaste, sentimos a tua falta!"
...porque por vezes a vida leva-nos por caminhos que não nos deixam voltar atrás....



"Believe that life is worth living and your belief will help create the fact."  William James

20.10.11

A chamada

O telefone toca e eu corro para ele na esperança que sejas tu do outro lado da linha, pego-lhe mas este fica mudo e a casa volta ao silêncio que nela ficou desde que foste embora. Pouso-o novamente no descanso e o sorriso desaparece.
Mergulho de novo na azáfama do meu dia e tento assim sufocar a corrente de pensamentos que te trazem de novo aqui, ao pé de mim, tão presente. Desisto por fim e vencida marco o número que há muito sei de cor, o telefone chama, uma e outra vez mas de ti continuo sem nada saber, desligo mas o meu coração deixa escapar: "…era apenas para dizer como sinto a tua falta".


"As contraries are known by contraries, so is the delight of presence best known by the torments of absence."  Alcibiades

22.4.11

Menina de olhar sonhador

- Menina de olhar sonhador, desça dessa sua torre e conceda-me uma oportunidade de a corte lhe fazer…
- Caro galanteador, não percebe que se o fizer toda a graça se perde? Se for fácil e acessível o caminho por nós partilhado, permanecerá quando a primeira barreira nele se interpor? Contarei com a sua mão quando escorregar? Dará o mesmo valor a algo tão facilmente conquistado como daria a algo que o relembra-se diariamente o quão difícil foi conquista-lo? Veja bem, não é por excesso de orgulho, altivez ou vaidade que não acedo ao seu pedido…é apenas por saber não ser capaz de ao seu lado permanecer se não tiver a certeza que o nosso amor não vacilará ou perecerá ao primeiro dissabor.
- Mas menina não teme acabar sozinha de tanto complicar e querer o amor explicar?
- Se realmente me cativar perceberá que a solidão não me assusta, aliás é sempre preferível ao vazio de certas relações, posso até para sempre permanecer sozinha entre tantas idealizações do par perfeito feitas mas pelo menos não ficarei presa nesse ciclo vicioso e por vezes tão destrutivo que dá pelo nome de amor…
- Desculpe mas não a consigo perceber, mas eu apenas amo pelo simples prazer que me concede a pessoa amada, não procuro razoes, lógicas ou explicações em todo esse processo!
- Então não merece que eu me canse a descer esta escadaria para ir ao seu encontro…também eu amo pelo mesmo motivo, apenas a maneira de amar é que é distinta! Não consigo gostar do que não percebo ou entendo e para tal preciso de o analisar e se realmente um ao outro estivéssemos destinados, não necessitaria de lho explicar!






"In order to be irreplaceable, one must always be different."
Coco Chanel

4.2.11

O que o meu silêncio esconde

Pedes-me respostas, que quebre o silêncio que nos últimos meses me blinda sem jamais perceberes que nele residem todas as respostas, sem sequer notares que talvez este exprima algo inenarrável.
Ofereces-me o teu ombro para desabafar, reafirmas promessas antigas e no entanto mostraste incapaz de verdadeiramente me consolar, com o mais simples dos gestos. Não percebes, ou talvez não queiras perceber o que o meu silêncio esconde.
Olhas-me nos olhos mas não me vês, contentas-te em saber o que se passa de forma superficial e desinteressada e tão pouco te dás ao trabalho de procurar compreender, bem lá no fundo deles, esta súbita ausência de palavras.
Não me peças que explique (ou que pelo menos o tente fazer), o turbilhão de emoções que a minha boca aprisiona, não tentes descortinar o meu silêncio nem o estranhes, se em troca não estiveres disponível para marcar a diferença entre o quebrar ou não.
Saberás tão bem como eu, se já algum dia to permitiste experimentar a veracidade desse lugar-comum que se torna dizer, que temos a mais longa das conversas numa troca de olhares silenciosa, onde o reconhecimento de que realmente a pessoa que nos mira nos conhece e nada mais se torna necessário que apenas a certeza de nos sabermos acompanhadas independentemente do que se tenha de enfrentar.
Dizes notares-me estranha, distante e fria, perguntas-me enfim o que encobre o meu silencio…encobre talvez alguém que começa a mostrar sinais de cansaço na crença ate agora inabalável para quem era ou não importante, esconde a ausência de forças para continuar a dar sem em troca, algo receber…
Se ainda não o percebeste ele diz-te que prefiro não investir, refugiar-me em mim e recusar-me a precisar de alguém com quem partilhar os meus problemas mesmo que estes se tornassem, talvez assim mais suportáveis.
Se me conheces minimamente saberás que não é o rancor, egoísmo ou o egocentrismo que me move mas apenas uma necessidade cada vez mais premente de auto-preservação e de me pôr em primeiro lugar em detrimento do outro…




" O único silêncio que perturba, é aquele que fala, e fala alto. É quando ninguem bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada, não há recados na secretária eletrônica, e mesmo assim você entende a mensagem."
Martha Medeiros